Defesa de Raimundo Cutrim pede suspeição de Flávio Dino em investigação do Caso Tech Office

COLUNA | DANIEL MORAES — 17/08/2026

A defesa do ex-secretário Raimundo Cutrim pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o ministro Flávio Dino seja declarado suspeito para conduzir a investigação que apura uma suposta tentativa de obstrução das apurações do Caso Tech Office.

O pedido foi apresentado ao ministro Edson Fachin. Os advogados sustentam que Dino não teria condições de atuar com imparcialidade porque fatos investigados em outro procedimento no Supremo, também envolvendo Cutrim, dizem respeito diretamente ao próprio ministro.

Essa investigação paralela envolve o blogueiro Luís Pablo e apura a relação entre ele e Cutrim. A Polícia Federal aponta o ex-secretário como fonte do jornalista em reportagens críticas a Flávio Dino.

No âmbito desse caso, o ministro Alexandre de Moraes autorizou buscas contra Luís Pablo e Raimundo Cutrim. Para a defesa, como Dino seria diretamente interessado nos fatos investigados nesse segundo procedimento, haveria conflito de interesses em sua atuação como relator da apuração que envolve Cutrim no Caso Tech Office.

O pedido de suspeição já havia sido apresentado durante o recesso do STF, quando Alexandre de Moraes estava responsável pela análise das demandas urgentes da Corte. Moraes rejeitou a solicitação. Agora, a defesa voltou a levar a questão ao Supremo, desta vez em requerimento dirigido a Fachin.

Cutrim, que já foi secretário de Segurança Pública do Maranhão e ocupava a Secretaria de Assuntos Legislativos no governo Carlos Brandão (MDB), é investigado pela Polícia Federal por suposta atuação para interferir nos depoimentos relacionados ao assassinato do empresário João Bosco Sobrinho Pereira de Oliveira, ocorrido em 2022, no edifício Tech Office, em São Luís.

A PF sustenta que Cutrim manteve contato com familiares de Gilbson César Soares Cutrim Júnior, condenado pelo assassinato, numa tentativa de fazer com que fossem alteradas versões apresentadas aos investigadores. Gravações obtidas pela corporação integram as provas utilizadas na investigação.

Entre as suspeitas apuradas estão tentativas de mudar depoimentos, afastar Daniel Brandão — sobrinho do governador Carlos Brandão — do contexto investigado e impedir que as apurações avançassem sobre o núcleo político citado no inquérito.

Diante das suspeitas, Flávio Dino chegou a determinar a prisão preventiva de Raimundo Cutrim. Posteriormente, por ter mais de 70 anos, o ex-secretário teve a prisão convertida em domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica, e foi afastado do cargo que ocupava no governo do Maranhão.

O novo pedido de suspeição de Dino ainda aguarda análise no STF.

Avatar photo
Sobre o autor

Daniel Moraes

Jornalista, fundador e editor-chefe do jornal digital O Observador Maranhense.

Inscrever-se
Notificar de
guest
0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários