Cutrim tentou mudar versão do Caso Tech Office para incriminar a oposição, diz PF

COLUNA | DANIEL MORAES — 15/08/2026

A Polícia Federal aponta que o ex-deputado estadual Raimundo Cutrim tentou mudar a versão do Caso Tech Office para fazer Lorena Santos, esposa do homicida Gilbson César Soares Cutrim Júnior, dizer que havia recebido dinheiro de integrantes da oposição para apresentar as declarações prestadas à investigação.

A suspeita aparece em documentos tornados públicos pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). Além da orientação para alterar os depoimentos, o pai de Gilbson relatou à PF ter recebido de Cutrim R$ 160 mil em dinheiro vivo, divididos em três parcelas de R$ 80 mil, R$ 50 mil e R$ 30 mil.

Na avaliação da PF, os elementos fazem parte de uma tentativa de influenciar testemunhas, reorganizar versões anteriormente prestadas e proteger integrantes do grupo do governador Carlos Brandão. À época dos fatos, Cutrim era secretário de Estado de Assuntos Legislativos do Maranhão.

Cutrim sugeriu versão envolvendo pagamento da oposição

Uma das principais provas analisadas pelos investigadores é a gravação de uma conversa entre Cutrim e o pai de Gilbson, realizada em junho deste ano.

No diálogo, Cutrim orienta como Lorena poderia justificar uma mudança no depoimento. Primeiro, sugere que ela alegasse dificuldades financeiras e dissesse que estava “passando fome”.

Em seguida, Cutrim orienta que Lorena atribua à oposição a versão que já havia apresentado à PF. Segundo a gravação, ela deveria dizer que recebeu R$ 300 mil para prestar aquelas declarações.

“Então o que tem que ser decidido disso é que a mulher dele… Então na primeira eles deram R$ 300.000,00”, afirma Cutrim em trecho reproduzido no documento.

Em depoimento posterior, o pai de Gilbson afirmou que Cutrim chegou a mencionar valores de R$ 300 mil e R$ 500 mil que teriam sido depositados na conta de Lorena.

Ele negou que esses pagamentos tenham ocorrido e classificou a narrativa como uma “fantasia” criada por Cutrim para justificar a alteração dos depoimentos.

Daniel Brandão

A gravação também traz referências a Daniel Brandão, presidente do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA) e sobrinho do governador Carlos Brandão.

Segundo os documentos, Cutrim buscava construir uma nova versão que afastasse Daniel do Caso Tech Office.

“Eu não vejo pessoalmente como Daniel possa estar envolvido nesse crime, porque ele não tá. Não tem como”, afirmou Cutrim.

Na mesma conversa, ele passa a orientar que Lorena atribua à oposição o pagamento pela versão apresentada anteriormente à investigação.

Para a PF, os elementos reforçam a suspeita de uma tentativa de alterar depoimentos já prestados e construir uma nova narrativa para proteger integrantes do grupo investigado.

Outro lado

A defesa de Raimundo Cutrim nega irregularidades e afirma não ter tido acesso integral aos autos. Os advogados também questionam a atuação de Flávio Dino e sustentam que o ministro deveria ser afastado das investigações por suposto impedimento ou suspeição.

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Sobre o autor

Daniel Moraes

Jornalista, fundador e editor-chefe do jornal digital O Observador Maranhense.

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