Após MP constatar precariedade do IEMA em São Luís, Brandão libera R$ 29 milhões para o instituto

Daniel Moraes
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Após uma inspeção do Ministério Público do Maranhão (MPMA) constatar a situação precária do IEMA Manoel Beckman, em São Luís, o governador Carlos Brandão (MDB) autorizou R$ 29,2 milhões para o instituto. O decreto foi publicado no Diário Oficial de terça-feira (3), 12 dias depois da vistoria, que encontrou obras paralisadas, banheiros improvisados e problemas estruturais na unidade.

Em reportagem publicada no dia 31 de outubro, o Observador Maranhense revelou que Brandão retirou R$ 21,5 milhões destinados à construção, reforma e modernização de unidades do IEMA para financiar a pavimentação de ruas na Região Tocantina. O valor representava 94,6% dos recursos inicialmente previstos para essa finalidade em 2026. A transferência ocorreu em 28 de setembro, seis dias antes do primeiro turno das eleições.

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Na ocasião, a Secretaria de Planejamento e Orçamento (Seplan) justificou a retirada alegando que o dinheiro não tinha previsão de utilização em 2026. Segundo o governo, a transferência não interrompeu obras nem prejudicou contratos existentes.

A explicação contrasta com a situação encontrada pelo Ministério Público no IEMA Manoel Beckman, localizado no bairro Bequimão, em São Luís. Durante inspeção realizada em 22 de outubro, a promotora de Justiça Maria Luciane Lisboa Belo encontrou banheiros improvisados em contêineres, fiação elétrica exposta na cozinha, aparelhos de ar-condicionado com vazamentos e problemas de higiene.

A paralisação das obras também comprometeu a rotina escolar. Os alunos do ensino regular e integral passaram a frequentar atividades presenciais apenas pela manhã. À tarde, os estudantes do ensino integral realizam tarefas por uma plataforma digital.

Dos R$ 29,2 milhões agora destinados ao IEMA, R$ 24,4 milhões serão utilizados em atividades pedagógicas e avaliações, enquanto outros R$ 4,8 milhões ficarão para a gestão do instituto. O dinheiro vem da arrecadação de impostos acima do previsto pelo governo.

Apesar do novo reforço no orçamento, o decreto não destina recursos especificamente para obras e reformas nas unidades do IEMA nem repõe os R$ 21,5 milhões retirados anteriormente para financiar a pavimentação de ruas na Região Tocantina.

O Observador Maranhense procurou a Secretaria da Educação para esclarecer a paralisação das obras no IEMA Manoel Beckman e as providências adotadas diante dos problemas encontrados pelo Ministério Público. A reportagem também entrou em contato com a deputada estadual eleita Cricielle Muniz (PT), que dirigiu o instituto até março deste ano, para saber se tinha conhecimento dos problemas durante sua gestão e por que não foram solucionados. Até a publicação, não houve resposta. O espaço segue aberto para manifestações.

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Sobre o autor

Daniel Moraes

Jornalista, fundador e editor-chefe do jornal digital O Observador Maranhense. Atuou nos principais jornais do Maranhão e tem textos publicados na Folha de S. Paulo, Estadão, Poder 360, Correio Braziliense e Congresso em Foco.

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