Réu do 8 de Janeiro cortou tornozeleira no Maranhão e reapareceu como fiscal do PL na Argentina

Coluna do Observador
COLUNA Coluna do Observador A Coluna do Observador cobre os bastidores da política e do poder no Maranhão, com foco em informações exclusivas. Publicada semanalmente, tem como titular a jornalista Lígia Teixeira, profissional com mais de 20 anos de experiência na cobertura política. A Coluna do Observador cobre os bastidores da política e do poder no Maranhão, com foco em informações exclusivas. Publicada semanalmente, tem como titular a jornalista Lígia Teixeira, profissional com mais de 20 anos de experiência na cobertura política.

O gaúcho Claudiomiro da Rosa Soares, de 52 anos, réu pelos ataques de 8 de janeiro de 2023, cortou a própria tornozeleira eletrônica com uma faca, jogou o equipamento no Rio das Balsas, no Maranhão, e fugiu para a Argentina. Mais de dois anos depois, reapareceu como fiscal do Partido Liberal (PL) durante o primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras em Buenos Aires.

A história foi detalhada em reportagem da revista piauí, publicada na quinta-feira (29), pela jornalista Luciana Taddeo, que entrevistou Claudiomiro na capital argentina.

Segundo o relato, Claudiomiro rompeu a tornozeleira em 5 de junho de 2024, enquanto cumpria medidas cautelares em Balsas, no sul do Maranhão. Ele havia passado cerca de 11 meses preso no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, antes de receber liberdade provisória, em dezembro de 2023.

Após abandonar o equipamento no rio, pegou carona até o Tocantins. Em Araguaína, comprou uma bicicleta e iniciou uma viagem de aproximadamente 3 mil quilômetros em direção à fronteira com a Argentina. O percurso durou 30 dias. Ele entrou no país vizinho em 4 de julho de 2024 e seguiu posteriormente de ônibus para Buenos Aires.

A Secretaria de Estado da Administração Penitenciária do Maranhão (Seap), responsável pelo monitoramento, ficou sem receber a localização da tornozeleira a partir de 6 de junho de 2024. Em 27 de setembro daquele ano, agentes foram até a residência do acusado, mas ele já havia deixado o Brasil.

A Seap também informou ao gabinete do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que não havia conseguido contato telefônico com Claudiomiro. Em outubro de 2025, o órgão comunicou à Corte problemas na efetividade do monitoramento eletrônico.

No primeiro turno das eleições de 2026, realizado em 4 de outubro, Claudiomiro compareceu à Embaixada do Brasil em Buenos Aires como fiscal do PL, partido do então candidato à Presidência Flávio Bolsonaro. Ele contou à piauí que fez o próprio cadastro no site da legenda e imprimiu sua credencial.

A presença do acusado foi identificada pela Polícia Federal, que comunicou o caso ao STF. Em 21 de outubro, Moraes decretou sua prisão preventiva pelo descumprimento das medidas cautelares.

À revista, o advogado Geovane Veras Pessoa criticou a decisão do cliente de comparecer à embaixada. “Foi uma burrice”, afirmou.

Claudiomiro responde a acusações de tentativa de golpe de Estado, associação criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. Ele nega ter participado da depredação das sedes dos Três Poderes e afirma que entrou no STF para apagar incêndios.

Ainda sem julgamento marcado, o acusado permanece na Argentina. Segundo a piauí, ele mora com outros brasileiros envolvidos nos atos de 8 de Janeiro e sobrevive de trabalhos temporários como pintor.

Avatar photo
Sobre o autor

Coluna do Observador

A Coluna do Observador cobre os bastidores da política e do poder no Maranhão, com foco em informações exclusivas. Publicada semanalmente, tem como titular a jornalista Lígia Teixeira, profissional com mais de 20 anos de experiência na cobertura política.

Inscrever-se
Notificar de
guest
0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários