Dono da TV Difusora pagou para remover links sobre ligação com Flávio Bolsonaro, aponta PF

Daniel Moraes
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O advogado Willer Tomaz de Souza, dono da TV Difusora, pagou por um serviço para remover ou desindexar links de reportagens que o relacionavam ao senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), segundo documentos analisados pela Polícia Federal (PF). A informação foi revelada pelo jornal O Globo.

A PF encontrou no celular de Willer mensagens trocadas com um representante de um serviço de reputação digital. As conversas, registradas em outubro de 2025, tratam da retirada de links de notícias dos resultados de busca do Google.

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Uma planilha apreendida pelos investigadores reúne 12 endereços eletrônicos e indica que os links teriam sido removidos. Entre as reportagens estavam notícias sobre uma disputa judicial envolvendo uma mansão e encontros de Flávio Bolsonaro com operadoras de cassinos em Las Vegas.

Nas mensagens, um interlocutor associado à empresa Seu Nome Novo de Novo informou que o serviço custaria R$ 1 mil por link, totalizando inicialmente R$ 12 mil. Após considerar um serviço anterior, ofereceu um desconto e apresentou uma proposta final de R$ 9 mil.

Segundo o UOL, o relatório da PF afirma que Willer teria contratado e remunerado um terceiro para promover a remoção ou desindexação dos conteúdos. O valor de R$ 9 mil aparece nas mensagens como proposta comercial.

Willer Tomaz assumiu o controle do Sistema Difusora de Comunicação em 2020, após adquirir o grupo que pertencia ao empresário Edinho Lobão. A TV Difusora é uma das principais emissoras de rádio e televisão do Maranhão.

O material foi identificado em uma investigação que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes. O inquérito apura suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo plataformas de apostas, com Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro entre os investigados.

Outro lado

Procurado, Willer Tomaz afirmou, por meio de sua assessoria, que adotou uma medida judicial contra o Google para desindexar conteúdos antigos e desatualizados. Segundo o advogado, a iniciativa foi dirigida ao buscador, e não aos veículos de comunicação responsáveis pelas reportagens.

Willer também negou que tenha tentado esconder sua relação com Flávio Bolsonaro, de quem afirmou ser amigo. A defesa criticou a inclusão das mensagens no relatório policial e classificou a investigação como uma iniciativa com finalidade eleitoral.

Flávio Bolsonaro não comentou especificamente a retirada dos links. Anteriormente, o senador havia classificado a investigação como “fake news”.

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Sobre o autor

Daniel Moraes

Jornalista, fundador e editor-chefe do jornal digital O Observador Maranhense. Atuou nos principais jornais do Maranhão e tem textos publicados na Folha de S. Paulo, Estadão, Poder 360, Correio Braziliense e Congresso em Foco.

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