Defesa de Weverton teve acesso antecipado a resultado de julgamento no STJ, aponta PF

Daniel Moraes
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A Polícia Federal identificou indícios de que o escritório do advogado Willer Tomaz teve acesso antecipado ao resultado previsto de um julgamento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) envolvendo o senador Weverton Rocha (PDT-MA). A informação foi revelada neste sábado (17) pelos jornalistas Natália Portinari e Fabio Serapião, do UOL.

O caso envolve uma ação por danos morais movida por Weverton contra a Editora Abril, responsável pela revista Veja. O recurso estava previsto para julgamento na Quarta Turma do STJ em setembro de 2025.

Na noite anterior à sessão, o senador e a editora apresentaram pedidos de desistência dos respectivos recursos. Segundo a investigação da PF, o escritório de Willer Tomaz, responsável pela defesa de Weverton, já conhecia o resultado previsto para o julgamento quando decidiu desistir.

Os investigadores identificaram indícios de que o escritório recebia antecipadamente minutas de decisões do STJ e pareceres do Ministério Público Federal (MPF). Segundo a PF, essas informações eram utilizadas para modificar estratégias processuais, inclusive com a desistência de recursos.

O STJ informou que seu presidente, ministro Luis Felipe Salomão, instaurou um procedimento interno para investigar os vazamentos. Um servidor que ocupava cargo de confiança foi exonerado na sexta-feira (16).

O servidor é Humberto Pradera, então secretário de Tecnologia da Informação e Comunicação do tribunal. Ele negou ter acesso a processos em andamento e afirmou que suas permissões eram restritas.

A investigação também menciona o procurador aposentado Antônio Carlos Simões Soares, suspeito de antecipar informações sigilosas e combinar o conteúdo de pareceres do MPF com Willer Tomaz. Segundo a PF, há sete casos em que o ex-subprocurador teria antecipado ou ajustado pareceres aos interesses do advogado.

Willer Tomaz negou ter obtido acesso irregular a decisões judiciais ou pareceres sigilosos. Também afirmou que sua atuação profissional respeitou a legislação e os procedimentos legais.

Suspeitas no Caso Tech Office

Em agosto, a Polícia Federal já havia apontado suspeitas de interferência de Weverton em outra investigação no STJ. Conforme noticiou o Observador Maranhense, os investigadores apuram se o senador atuou para atrapalhar a investigação do assassinato do empresário João Bosco Sobrinho, ocorrido em 2022, em São Luís, no episódio conhecido como Caso Tech Office.

Dados extraídos do celular de Weverton revelaram contatos frequentes com o ministro Humberto Martins, do STJ, durante o período em que o magistrado relatava parte da investigação. A PF identificou mensagens, áudios e ligações entre os dois, inclusive conversas sobre processos sob responsabilidade do ministro. Para os investigadores, os contatos levantaram suspeitas de tentativa de interferência no andamento do caso.

Na ocasião, Weverton negou qualquer irregularidade, afirmou que seus contatos com integrantes do Judiciário eram institucionais e classificou as suspeitas como uma “forçação de barra”.

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Sobre o autor

Daniel Moraes

Jornalista, fundador e editor-chefe do jornal digital O Observador Maranhense. Atuou nos principais jornais do Maranhão e tem textos publicados na Folha de S. Paulo, Estadão, Poder 360, Correio Braziliense e Congresso em Foco.

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