Agiotagem financiava empreiteiras envolvidas em obras públicas de Imperatriz

Empreiteiras envolvidas em contratos e obras públicas de Imperatriz recorriam a um esquema de agiotagem para obter dinheiro destinado a iniciar obras, manter o fluxo de caixa e cumprir compromissos financeiros, segundo o Gaeco. A prática é investigada na Operação Faenerator, que apura desvios de mais de R$ 600 milhões em verbas públicas.

De acordo com o Ministério Público do Maranhão, os empréstimos tinham juros de 3,5% a 4% ao mês, além de encargos em caso de atraso. O fornecimento de capital a empreiteiros ocorria de forma sistemática, segundo a investigação.

O dinheiro era liberado sem garantias formalmente constituídas. Cheques e notas promissórias permaneciam fora do sistema bancário e, de acordo com o Gaeco, eram usados para controlar as dívidas dos empresários.

A Operação Faenerator foi deflagrada nesta terça-feira (15), com buscas e apreensões em Imperatriz, João Lisboa e Buritirana. Entre os alvos estão integrantes de um núcleo financeiro que, segundo o Gaeco, financiava empresas envolvidas em contratos e obras públicas de Imperatriz, inclusive empreiteiras anteriormente investigadas por desvios de recursos da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Sinfra).

Além da agiotagem, o Ministério Público apura mecanismos usados para ocultar a origem e a circulação do dinheiro. A investigação identificou transferências bancárias, Pix, depósitos fracionados, contas de passagem, uso de pessoas interpostas e saques em espécie.

Segundo o Gaeco, parte dos valores também era reinserida na economia formal por meio da compra e comercialização de carros de luxo, veículos pesados, aeronaves, helicópteros, embarcações e imóveis rurais.

As apurações identificaram ainda pagamentos de obrigações pessoais relacionadas a agentes públicos e Pessoas Expostas Politicamente (PEPs). O Ministério Público não divulgou quem são essas pessoas nem quais despesas teriam sido pagas.

Justiça autoriza bloqueio de até R$ 621 milhões

A Vara Especial Colegiada dos Crimes Organizados autorizou o bloqueio e a indisponibilidade de bens e valores até o limite de R$ 621.455.220. A medida alcança ativos financeiros, imóveis, veículos, aeronaves, embarcações e outros bens.

Os R$ 621,4 milhões correspondem ao teto do bloqueio determinado pela Justiça e não significam que todo esse valor já tenha sido comprovadamente desviado.

Investigação começou em operações anteriores

A Faenerator é resultado do aprofundamento das operações Regalo, Timoneiro e Pavimentum, realizadas anteriormente pelo Gaeco para investigar irregularidades envolvendo recursos públicos e empresas contratadas pela Sinfra de Imperatriz.

Na Pavimentum, por exemplo, o Gaeco investigou suspeitas de fraude em licitações de pavimentação asfáltica. Os contratos analisados naquela operação somavam R$ 85,5 milhões.

Segundo o Ministério Público, o cruzamento das informações obtidas nessas investigações levou ao núcleo financeiro agora alvo da Faenerator. Os elementos reunidos indicam que as práticas investigadas ocorrem pelo menos desde 2017.

O Observador Maranhense procurou a Prefeitura de Imperatriz para comentar a investigação e aguarda retorno. O espaço permanece aberto para manifestação.

Por Rafael Dantas.

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Coluna do Observador

A Coluna do Observador cobre os bastidores da política e do poder no Maranhão, com foco em informações exclusivas. Publicada semanalmente, tem como titular a jornalista Lígia Teixeira, profissional com mais de 20 anos de experiência na cobertura política.

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