O Ministério Público do Maranhão (MPMA) determinou o envio à Polícia Civil de uma nova suspeita envolvendo o concurso público da Prefeitura de Buriticupu. A denúncia relata que um pacote de provas destinado a candidatos da sala 16 da Unidade Integrada Professora Valdiana teria chegado aberto ou violado durante a aplicação do exame, em 12 de julho.
O caso consta da Decisão nº 849/2026, da 1ª Promotoria de Justiça de Buriticupu. O MP determinou que a nova denúncia seja incorporada à investigação policial já requisitada para apurar outra suspeita relacionada ao concurso, organizado pela Fundação Sousândrade.
De acordo com o relato recebido pelo Ministério Público, inicialmente foi levado à sala 16 um pacote de provas destinado a outra turma ou cargo. Depois da retirada do material, teria sido entregue o pacote correto, mas aparentemente já aberto ou violado.
Candidatos teriam questionado a situação. Ainda segundo a denúncia, uma representante da organização informou que o episódio seria registrado em ata e posteriormente assinado pelos participantes, o que, segundo o denunciante, não teria ocorrido.
A Polícia Civil deverá verificar as condições em que o pacote chegou à sala e se houve comprometimento do sigilo das provas. Entre as diligências indicadas pelo MP estão a localização de atas e relatórios, a identificação de fiscais, coordenadores e representantes da Fundação Sousândrade e a reconstrução do transporte, da guarda e da abertura do material.
A investigação também deverá apurar se alguém teve acesso não autorizado às questões antes da distribuição aos candidatos e se houve eventual favorecimento.
Concurso já é alvo de outra apuração
A nova denúncia será reunida a uma investigação policial determinada anteriormente pelo Ministério Público após a identificação de uma inconsistência cadastral envolvendo duas inscrições no concurso.
Nesse caso, documentos analisados pela Promotoria apresentaram divergência entre o nome e o CPF vinculados a uma das inscrições. A Polícia Civil deverá apurar a origem da inconsistência e identificar quem efetivamente participou das etapas do concurso.
O MP também determinou a análise de listas de presença, assinaturas, cartões de resposta e eventuais registros fotográficos ou biométricos, além dos documentos apresentados pelos candidatos.
O Ministério Público ressaltou que ainda não há elementos que comprovem que o pacote tenha chegado violado ou que alguém tenha tido acesso antecipado às questões. Por isso, o episódio ainda não pode ser tratado como fraude ou quebra comprovada do sigilo da prova.
Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Buriticupu não se manifestou.
