O deputado federal e candidato ao Senado André Fufuca (PP) entrou na Justiça Eleitoral para retirar da internet um artigo que relaciona o verbo “fufucar” a mudanças de lado, traições políticas e alianças por conveniência.
O texto “Fufucar: a miséria da política no Maranhão”, do jornalista maranhense Ed Wilson Araújo, foi publicado em 12 de agosto. No artigo, Ed Wilson usa a trajetória de Fufuca para questionar o significado positivo dado ao verbo na campanha do candidato.
“As constantes mudanças de lado constituem a base do verbo fufucar, que não existe na Gramática, mas pode ser usado para caracterizar mudança de lado, traição, associação a qualquer um que esteja no poder para se locupletar, negar o próprio discurso e sempre criar situações em benefício próprio”, afirma Ed Wilson no artigo.
Na ação, protocolada na quarta-feira (2), Fufuca pediu a remoção do artigo e que Ed Wilson fosse impedido de republicá-lo ou voltar a afirmar que Francisco Dantas Ribeiro Filho, o Fufuca Dantas, pai do parlamentar, teve o registro de candidatura cassado pelo TRE-MA em 2010.
A defesa alegou que o artigo divulgava um fato sabidamente inverídico e configurava propaganda eleitoral negativa. O argumento foi que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reformou a decisão regional e autorizou a candidatura de Fufuca Dantas naquele ano. A Justiça Eleitoral, no entanto, negou o pedido de retirada da publicação.
Na decisão, o juiz auxiliar José Nilo Ribeiro Filho reconheceu que o jornalista usou um termo tecnicamente impreciso: o registro de Fufuca Dantas não foi cassado, mas indeferido pelo TRE-MA.
O magistrado ponderou, entretanto, que os documentos apresentados pelo próprio candidato confirmavam a existência de uma decisão regional contrária ao registro, posteriormente reformada pelo TSE.
Para José Nilo, a imprecisão não bastava para caracterizar uma falsidade evidente e justificar a retirada. Ele também considerou que as referências às alianças e mudanças de posição de Fufuca faziam parte de um texto crítico e opinativo.
Ainda na noite de quarta-feira, depois da negativa, Fufuca apresentou um pedido de desistência.
Os advogados pediram que a ação seja encerrada sem uma decisão definitiva e ressaltaram que a desistência não significa admitir que Fufuca não tinha razão.
Ao Observador Maranhense, Ed Wilson disse que a tentativa de censura pela via judicial é algo “retrógrado, autoritário e vai de encontro aos preceitos constitucionais”.
“Exerci um direito fundamental, próprio do gênero opinativo do jornalismo. Quem se posiciona como representante da população para um cargo parlamentar está sujeito à observação crítica da sociedade”, disse o jornalista.
“Eu discorri, com base em uma interpretação histórica e sociológica, sobre os sentidos de ‘fufucar’ associados à prática real do deputado, tomando como referência a carreira meteórica dele. O objetivo do texto era oferecer ao público uma visão distinta da propaganda eleitoral, na qual ‘fufucar’ apresenta-se no sentido positivo e elogioso do candidato”, afirmou.
