O senador Weverton Rocha (PDT-MA) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que sejam adotadas medidas para identificar quem acessou e vazou uma fotografia armazenada em seu celular, apreendido pela Polícia Federal durante a Operação Sem Desconto.
Na petição encaminhada ao ministro André Mendonça, relator das investigações, a defesa solicita a preservação dos registros de acesso ao material extraído do aparelho e a identificação dos servidores que tiveram contato com os dados.
Weverton também quer que seja investigada a origem do vazamento. Os detalhes do pedido foram revelados nesta quinta-feira (27) pelo jornal O Globo.
A fotografia foi divulgada pela revista Piauí e mostra o senador em uma piscina, durante um encontro realizado em 2023 no rancho do advogado Willer Tomaz, nos arredores de Brasília.
Na imagem também aparecem Arthur Lira (PP-AL), Elmar Nascimento (União Brasil-BA), Alexandre Ramagem (PL-RJ), Paulo Azi (União Brasil-BA) e o deputado federal maranhense Juscelino Filho (PSDB).
O celular onde estava a fotografia foi apreendido pela PF no fim de 2025. Dados extraídos do aparelho passaram a integrar as investigações da Operação Sem Desconto, que apura fraudes relacionadas a descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS.
Na petição, Weverton cita nominalmente o delegado responsável pela investigação e pela custódia das provas. A defesa ressalva, porém, que a menção não representa uma acusação direta contra o policial e sustenta que a análise dos registros poderá indicar quem teve acesso ao arquivo.
O senador também pediu que a Procuradoria-Geral da República avalie a ocorrência de possíveis infrações, entre elas violação de sigilo funcional, e que a Corregedoria-Geral da Polícia Federal examine eventual responsabilidade disciplinar.
A defesa de Weverton já havia acionado o STF em 10 de agosto para questionar o vazamento. O pedido foi autuado na Corte dois dias depois. Os detalhes sobre as medidas requeridas para rastrear os acessos ao celular e tentar identificar a origem da divulgação vieram a público nesta semana.
Weverton sustenta que a fotografia é de caráter privado e não tem relação com os fatos investigados pela Polícia Federal.
A Operação Sem Desconto alcança o senador em uma apuração sobre suspeitas de lavagem de dinheiro que, segundo a PF, teriam Weverton como beneficiário. Ele nega participação em irregularidades.
