PF diz não ser possível afirmar “com máxima certeza” que blogueiro recebeu R$ 100 mil por matérias contra Dino

Um relatório da Polícia Federal afirma que não é possível concluir que o blogueiro maranhense Luís Pablo Conceição Almeida tenha recebido R$ 100 mil em troca da publicação de matérias contra o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O documento foi produzido a partir da análise do conteúdo de um celular de Luís Pablo apreendido em março, por determinação do ministro Alexandre de Moraes. O relatório, assinado em maio por um agente da PF e encaminhado ao STF, registra a necessidade de aprofundar a análise do material disponível.

“Através do que fora analisado, não é cabível apontar com máxima certeza que a quantia em comento se trata de pagamento destinado a matérias jornalísticas ou recebimento ligado a assuntos desse teor”, diz trecho do relatório.

A investigação identificou que o advogado Diogo Diniz Lima, apontado como uma das fontes de Luís Pablo, transferiu R$ 100 mil a um terceiro. Segundo a apuração, o dinheiro foi utilizado para quitar parte de um imóvel adquirido pelo blogueiro em Paço do Lumiar.

Luís Pablo afirma que o valor não tem relação com as matérias publicadas contra Dino. Segundo ele, o dinheiro correspondeu a um empréstimo pessoal feito por Diogo, seu amigo, para a aquisição do imóvel.

Em outra manifestação produzida no curso da investigação, a própria Polícia Federal diferenciou a atuação do blogueiro da conduta de quem eventualmente tivesse acessado dados sigilosos para repassá-los à imprensa.

O delegado responsável pelo caso afirmou que Luís Pablo não estava sendo acusado de violação de sigilo funcional, por estar, em tese, protegido pelo direito à liberdade de imprensa. Para a PF, eventual crime poderia ser atribuído ao agente público que acessasse informações restritas e as divulgasse irregularmente para posterior publicação.

A Polícia Federal apontou Raimundo Cutrim, ex-secretário de Assuntos Legislativos do governo do Maranhão, como responsável por obter informações em sistemas de acesso restrito e repassá-las a Luís Pablo. A análise dos equipamentos apreendidos mostrou, segundo os investigadores, o envio de documentos e imagens ao blogueiro por WhatsApp e encontros entre os dois.

Apesar de não afirmar que os R$ 100 mil tenham sido pagamento por matérias contra Dino, a PF também não descartou essa hipótese. O relatório defende o aprofundamento das investigações para esclarecer a relação entre os envolvidos, a origem da movimentação financeira e o contexto em que as informações foram repassadas.

As diligências continuam sob responsabilidade de Alexandre de Moraes. O ministro autorizou, em agosto, buscas contra Raimundo Cutrim e Diogo Diniz Lima após manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República. A apuração busca esclarecer, entre outros pontos, se houve pagamento em troca de publicações contrárias a Flávio Dino.

Luís Pablo nega ter recebido dinheiro para produzir matérias e afirma que sua atividade foi criminalizada. Dino e o Tribunal de Justiça do Maranhão também negam irregularidades relacionadas ao uso de veículos oficiais, tema que deu origem às publicações investigadas.

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Coluna do Observador

A Coluna do Observador cobre os bastidores da política e do poder no Maranhão, com foco em informações exclusivas. Publicada semanalmente, tem como titular a jornalista Lígia Teixeira, profissional com mais de 20 anos de experiência na cobertura política.

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