Agente da PF teria vazado informações sigilosas do Caso Tech Office para grupo ligado à família Brandão

COLUNA | DANIEL MORAES — 16/08/2026

A Polícia Federal investiga se um agente da corporação, identificado como Edvar Rodrigues dos Santos, vazou informações sigilosas para integrantes do grupo ligado à família Brandão durante a investigação do assassinato de João Bosco Sobrinho Pereira de Oliveira, ocorrido em 2022, em São Luís, crime que ficou conhecido como Caso Tech Office. O agente também é suspeito de tentar interferir na colaboração de Gilbson César Soares Cutrim Júnior, condenado pelo homicídio.

Edvar Santos manteve contatos reiterados e não autorizados com Gilbson César Soares Cutrim, pai do condenado. As conversas ocorreram presencialmente, dentro da Superintendência da PF no Maranhão, e também por mensagens e ligações telefônicas.

Segundo a investigação, o agente se apresentou ao pai de Gilbson como integrante da equipe responsável pelo caso, embora não fizesse parte dela.

Ao analisar os fatos, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou haver “indícios de infiltração no âmbito da Polícia Federal”, com o possível intermédio de um servidor federal para repassar informações sigilosas aos investigados.

Grupo ligado à família Brandão teria recebido informações

A investigação aponta que integrantes do “grupo ligado à família Brandão” tomaram conhecimento das idas de familiares de Gilbson à sede da Polícia Federal.

Segundo o documento, a informação comprometeu diligências em andamento e provocou sucessivos adiamentos de uma entrega de valores monitorada pelos investigadores, que acabou não ocorrendo.

Nesse contexto, a PF levantou a hipótese de que Edvar Santos tenha atuado como “instrumento da organização criminosa” para tentar fazer Gilbson Júnior abandonar sua postura de colaboração com a investigação.

Agente conhecia diligências sigilosas

A análise do celular do pai de Gilbson identificou 19 interações com Edvar Santos, entre mensagens e ligações telefônicas.

Segundo a PF, o agente demonstrava conhecer diligências sigilosas de uma investigação com a qual não possuía qualquer vínculo funcional autorizado. Ele também orientou o pai de Gilbson sobre o sigilo das tratativas e fez referências ao advogado da família e a outros personagens da investigação.

Em depoimento, o pai de Gilbson afirmou que Edvar Santos perguntou se ele confiava no próprio advogado e fez um alerta: “Esse caso não pode vazar”. Questionado sobre qual caso, teria respondido: “Esse caso da proposta que o pessoal fez”.

O pai de Gilbson relatou ainda que Edvar Santos dizia participar da investigação “desde o começo”. A PF afirma, porém, que ele não integrava oficialmente a equipe responsável pelo caso.

Mensagens apagadas e pressão

A perícia encontrou ainda duas mensagens enviadas por Edvar Santos e apagadas pelo próprio agente durante uma sequência de ligações.

Para a investigação, a exclusão das mensagens constitui indício de tentativa de eliminar provas dos contatos mantidos com o pai de Gilbson.

Em outra mensagem, Edvar Santos ameaçou “pedir abertura de procedimento investigativo para interrogar os dois”, em referência ao pai de Gilbson e ao advogado que o acompanhava.

A PF aponta que a mensagem demonstra disposição do agente para utilizar sua posição funcional como instrumento de pressão sobre pessoas relacionadas à investigação.

Dino determinou busca e apreensão contra Edvar Santos, além de seu afastamento cautelar das funções e da proibição de contato. Ao justificar as medidas, o ministro citou a necessidade de preservar o sigilo das investigações diante dos indícios de infiltração na própria Polícia Federal.

A reportagem não conseguiu contato com a defesa do policial federal. O espaço segue aberto para manifestação.

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Sobre o autor

Daniel Moraes

Jornalista, fundador e editor-chefe do jornal digital O Observador Maranhense.

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