Para a PF, Weverton Rocha tentou atrapalhar investigação do assassinato do Caso Tech Office

COLUNA | DANIEL MORAES — 14/08/2026

A Polícia Federal investiga se o senador Weverton Rocha (PDT-MA) atuou para atrapalhar a investigação do assassinato de João Bosco Sobrinho Pereira de Oliveira, ocorrido em 2022 e conhecido como Caso Tech Office.

A suspeita aparece em decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que teve o sigilo retirado. O documento reproduz as conclusões da PF sobre uma possível atuação de Weverton junto ao gabinete do ministro Humberto Martins, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), onde parte das investigações tramitou antes de chegar ao Supremo.

Segundo a PF, o objetivo seria influenciar o andamento da Sindicância 861/DF, que apurava fatos relacionados ao homicídio. A investigação menciona interlocuções e tratativas que teriam como finalidade impedir o avanço da apuração.

Um dos trechos mais fortes do documento trata do que aconteceu com o processo no STJ. A Polícia Federal relata que não identificou novas decisões relevantes na sindicância e encontrou registros de dificuldades de acesso aos autos e demora na análise de pedidos urgentes apresentados pelos próprios investigadores.

Para a PF, esse cenário seria um indicativo de que a interferência investigada pode ter funcionado. No documento, a corporação afirma que a situação estaria “a indicar sucesso da possível ingerência do senador”.

Celular revelou contatos com Humberto Martins

A investigação sobre Weverton avançou depois que foram compartilhados dados extraídos do celular do senador, apreendido pela Polícia Federal na Operação Sem Desconto, em dezembro de 2025.

O compartilhamento foi autorizado pelo ministro André Mendonça, relator da investigação em que o aparelho havia sido apreendido.

A análise encontrou comunicações diretas e frequentes entre Weverton e Humberto Martins de 25 de janeiro de 2023 a 4 de outubro de 2025. Foram identificadas mensagens de texto, áudios, ligações e compartilhamento de arquivos.

Segundo a PF, as conversas disponíveis tratavam de encontros pessoais e de processos sob responsabilidade de Humberto Martins. Os investigadores afirmam que o material mostra uma proximidade pessoal entre o senador e o ministro que ultrapassaria uma relação meramente formal ou institucional.

A Polícia Federal identificou também pedidos feitos diretamente por Weverton a Humberto Martins, com menções nominais a pessoas que tinham processos sob relatoria do ministro. Para os investigadores, esses contatos ajudaram a dar consistência à suspeita de que o senador poderia ter acesso suficiente ao magistrado para tentar influenciar a investigação do Caso Tech Office.

Em 2 de junho de 2025, Weverton e Humberto Martins trocaram mensagens e fizeram uma ligação de aproximadamente cinco minutos. Depois, o senador enviou um áudio e voltou a tratar de um encontro com o ministro.

No mesmo dia, por decisão de Humberto Martins, Gilbson César Soares Cutrim Júnior, condenado pelo assassinato de João Bosco, foi transferido do sistema penitenciário do Maranhão para Brasília.

A decisão de Flávio Dino faz, porém, uma ressalva importante: a transferência havia sido formalmente solicitada pela própria Polícia Federal. O documento não estabelece que o contato de Weverton com Humberto Martins tenha provocado a transferência.

A investigação sobre a possível interferência de Weverton foi um dos motivos que levaram o caso ao STF. Dino registra que a competência do Supremo decorre justamente da existência de suspeitas envolvendo um senador da República.

Outro lado

O senador Weverton Rocha foi procurado para comentar as suspeitas apresentadas pela Polícia Federal, mas não havia se manifestado até a publicação deste texto.

Em nota, o ministro Humberto Martins afirmou que, “em razão do processo tramitar sob segredo de Justiça, não irá se manifestar”. Acrescentou que os autos do habeas corpus foram encaminhados ao ministro Flávio Dino, relator do caso no STF.

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Sobre o autor

Daniel Moraes

Jornalista, fundador e editor-chefe do jornal digital O Observador Maranhense.

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