PSB expulsa prefeito de Campestre após ameaças a servidores por apoio a Flávio Bolsonaro

Por Rafael Dantas | 11/08/2026

O PSB expulsou o prefeito de Campestre do Maranhão, Fernando Oliveira da Silva, o Fernando Bermuda, após a repercussão de mensagens em que ele teria ameaçado demitir servidores municipais que não apoiassem candidatos de sua preferência, entre eles Flávio Bolsonaro (PL).

A decisão consta em resolução aprovada pela Executiva Estadual do partido no sábado (8) e divulgada nesta segunda-feira (10). O documento determina também o cancelamento da filiação de Bermuda.

Segundo o PSB, o prefeito praticou “grave infidelidade partidária” ao atuar em favor de candidaturas de outras legendas e contrariar decisões das instâncias partidárias. A expulsão foi aprovada pela maioria da Executiva Estadual e, entre os integrantes presentes à reunião, por unanimidade.

A medida não provoca a perda automática do mandato. Bermuda permanece no cargo de prefeito, e eventual consequência eleitoral dependerá de processo e decisão da Justiça Eleitoral.

Entre os episódios citados está uma mensagem em que o prefeito teria relacionado a permanência de servidores nos cargos ao apoio político nas eleições. Também circulou uma música produzida com inteligência artificial associando empregos públicos municipais ao apoio a Flávio Bolsonaro.

Após a repercussão, Bermuda afirmou que as mensagens compartilhadas em grupos de Campestre expressavam seu “ponto de vista sobre a política” e sobre os possíveis efeitos da eleição presidencial para o município.

O PSB também apontou que a conduta do prefeito contrariava a estratégia nacional da legenda para as eleições de 2026, incluindo o apoio do partido à candidatura de Geraldo Alckmin à Vice-Presidência da República.

Na resolução, a Executiva Estadual afirma ainda que os fatos atribuídos a Bermuda podem, em tese, configurar ilícitos eleitorais, como abuso de poder político. Eventuais irregularidades, no entanto, deverão ser analisadas pela Justiça Eleitoral.

Prefeito admite tom inadequado e nega perseguição

Após a divulgação das mensagens, Fernando Bermuda reconheceu que utilizou palavras e um tom inadequados durante uma conversa informal, mas negou ter perseguido ou punido servidores por motivos políticos.

Segundo ele, nenhum funcionário da prefeitura foi demitido, afastado ou sofreu qualquer tipo de retaliação em razão de voto ou posicionamento eleitoral.

“Assumo o erro no tom da fala, mas reafirmo que as interpretações de que teria ocorrido demissão ou perseguição política não correspondem aos fatos”, declarou o prefeito em nota.

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Rafael Dantas

Redator e colunista do O Observador Maranhense.

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