Cinco candidatos ao governo do Maranhão participaram, na noite deste domingo (9), do primeiro debate das eleições de 2026. Promovido pela Band Maranhão, em parceria com a Rádio Mais FM, o encontro teve discussões sobre educação, saúde, segurança pública, infraestrutura, impostos, pobreza e desenvolvimento econômico.
Participaram André Luís (Missão), Felipe Camarão (PT), Orleans Brandão (MDB), Saulo Arcângeli (PSTU) e Roberto Rocha (PRTB).
Eduardo Braide (PSD) e Reginaldo Lima (PCB), apesar de convidados, não compareceram. A organização informou que Reginaldo havia comunicado previamente que cumpriria agenda em Imperatriz.
No caso de Braide, a Band afirmou que sua assessoria chegou a sinalizar a participação, mas posteriormente comunicou que o candidato estaria em compromissos no interior do Maranhão. Em vídeo publicado nas redes sociais, Braide disse reconhecer a importância dos debates, mas confirmou presença apenas no encontro da TV Mirante.
O candidato Dimas Cassemiro (PCO) não foi mencionado durante o programa.
Mediado pelo jornalista Napoleão de Castro, o debate teve três blocos de confrontos entre os candidatos e um último destinado às considerações finais.
Educação, impostos e críticas ao governo
Felipe Camarão e Orleans Brandão protagonizaram um dos primeiros embates, com foco na educação. Camarão criticou indicadores da atual gestão, a aplicação dos precatórios do Fundef e a situação de obras educacionais. Orleans rebateu destacando ações do governo Brandão e prometeu ampliar para 50% a participação das escolas de tempo integral na rede estadual, além de expandir o modelo cívico-militar.
Orleans também questionou Roberto Rocha sobre os problemas enfrentados pelo Hospital da Criança, em São Luís. O candidato do MDB criticou a administração municipal da unidade e mencionou a ausência de Braide. Roberto defendeu uma investigação sobre a gestão do hospital e também criticou a falta do candidato do PSD.
Em outro confronto, Roberto Rocha questionou Camarão sobre a carga de ICMS no Maranhão. O petista afirmou que pretende reduzir o imposto caso seja eleito e defendeu medidas de estímulo ao empreendedorismo, à educação profissional e à geração de empregos.
Roberto rebateu lembrando que Camarão integrou governos responsáveis por aumentos da tributação estadual. O petista, por sua vez, citou a antiga aliança do adversário com o ex-governador Flávio Dino e criticou sua aproximação com o bolsonarismo.
Segurança e desenvolvimento econômico
A segurança pública também esteve entre os principais pontos de divergência. André Luís defendeu uma política mais dura contra integrantes de facções criminosas e apresentou a proposta que chamou de “prendeu-matou”.
Saulo Arcângeli criticou a ideia e defendeu investimentos em inteligência policial, prevenção, polícia comunitária, geração de emprego e políticas sociais.
Os dois também divergiram sobre desenvolvimento econômico. André defendeu maior participação da iniciativa privada e a implantação de um novo porto na região de Tauá-Mirim. Saulo criticou o modelo baseado em grandes empreendimentos e afirmou que os investimentos realizados no Maranhão não resultaram em distribuição proporcional da riqueza.
Camarão e André Luís tiveram outro embate quando o candidato do Missão mencionou a CPI instalada na Assembleia Legislativa para investigar o petista. Camarão afirmou ser alvo de perseguição política e disse que decisões judiciais foram favoráveis a ele.
Orleans Brandão também foi questionado sobre a situação fiscal do Maranhão. Ele afirmou que o Estado melhorou sua capacidade de investimento durante o governo Carlos Brandão e citou projetos como uma biorrefinaria em Balsas e a Zona de Processamento de Exportação (ZPE) de Bacabeira.
André Luís defendeu redução das despesas da máquina pública e prometeu cortar 25% dos cargos comissionados.
Em discussão sobre infraestrutura, Orleans destacou obras rodoviárias, intervenções na Baixada Maranhense e projetos de mobilidade na Grande São Luís. Roberto Rocha argumentou que investimentos em logística são fundamentais para ampliar a produção e o desenvolvimento econômico do Estado.
Bolsonaro, pobreza e considerações finais
Outro confronto envolveu Roberto Rocha e Saulo Arcângeli. Questionado sobre sua identificação com Jair Bolsonaro (PL), Roberto disse ter orgulho de se posicionar à direita e afirmou aceitar ser chamado de bolsonarista quando o termo estiver associado a valores como livre iniciativa, família, segurança pública, Forças Armadas e combate à corrupção.
Saulo criticou o bolsonarismo e também se posicionou contra privatizações e terceirizações nos serviços públicos.
No debate sobre pobreza, Roberto questionou Camarão sobre a permanência dos baixos indicadores sociais mesmo após o crescimento da economia maranhense. Camarão atribuiu o problema principalmente à desigualdade e defendeu políticas de educação, saúde e geração de oportunidades em parceria com o governo federal.
Roberto afirmou que a pobreza está ligada à estrutura econômica do Maranhão, marcada pela baixa industrialização e pela predominância de atividades primárias.
Nas considerações finais, os candidatos reforçaram as principais linhas apresentadas durante o debate.
Roberto Rocha se colocou como oposição aos grupos que governaram o Maranhão e reafirmou sua identificação com a direita. Saulo Arcângeli apresentou sua candidatura como uma alternativa socialista. André Luís voltou a defender uma ruptura com os grupos políticos tradicionais.
Felipe Camarão prometeu retomar políticas implantadas durante o governo Flávio Dino e ressaltou sua aliança com o presidente Lula (PT). Orleans Brandão defendeu a continuidade da atual gestão e prometeu ampliar escolas de tempo integral, hospitais, videomonitoramento e programas de combate à pobreza.
Ao encerrar o programa, Band Maranhão e Rádio Mais FM fizeram um editorial sobre as ausências. Os veículos afirmaram que todos os candidatos foram convidados com antecedência e nas mesmas condições e defenderam a participação nos debates como parte do processo eleitoral.
