O deputado federal Hildo Rocha (MDB) afirmou nesta quarta-feira (15) que alguns parlamentares vão ao Congresso apenas para “administrar emendas” e sugeriu que colegas podem ter interesses próprios na aplicação desses recursos.
Em discurso no plenário da Câmara dos Deputados, Hildo defendeu uma fiscalização mais rigorosa sobre as verbas indicadas pelos parlamentares e afirmou que acompanha a execução das emendas destinadas por seu mandato.
“A emenda de minha autoria, eu quero que seja fiscalizada porque eu sou o deputado que coloca a emenda, eu quero o benefício para o povo, eu não quero propina”, declarou.
Na sequência, o deputado maranhense afirmou que alguns parlamentares podem evitar a fiscalização por terem interesse na execução dos recursos.
“Alguns deputados não pedem fiscalização porque talvez eles tenham algum interesse nas emendas. Inclusive, tem deputado que vem para cá só para administrar a emenda parlamentar”, disse.
A declaração foi feita enquanto Hildo Rocha relatava ter solicitado a fiscalização de duas emendas destinadas por ele. Segundo o parlamentar, as obras financiadas com os recursos não foram concluídas, apesar de os valores já terem sido repassados.
Hildo não informou, no discurso, quais eram as obras, os municípios beneficiados nem os valores envolvidos.
A fala ocorre em meio ao aumento da pressão por transparência e rastreabilidade na distribuição das emendas parlamentares.
Também nesta quarta-feira, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), intimou os presidentes dos partidos com representação no Congresso a esclarecerem se as direções das legendas participam da definição, gestão, distribuição ou operacionalização desses recursos.
Na terça-feira (14), Dino já havia determinado que a Câmara enviasse documentos referentes à tramitação interna de emendas citadas em uma investigação da Polícia Federal. Na mesma decisão, o ministro reforçou que pessoas sem mandato não podem exercer influência informal sobre a destinação do orçamento público.
