O vereador Beto Castro (Avante) usou a tribuna da Câmara Municipal de São Luís, na sessão desta quarta-feira (17), para negar ligação com organização criminosa ou facção ao comentar a Operação Benedictio, da qual foi um dos alvos.
Deflagrada pelo Gaeco na segunda-feira (15), a operação apura um suposto esquema de desvio de mais de R$ 9 milhões em emendas parlamentares que deveriam ser destinadas a projetos sociais em São Luís. Segundo o Ministério Público, o caso envolve suspeitas de organização criminosa, lavagem de dinheiro e financiamento de facção criminosa.
No pronunciamento, Beto Castro disse que sua atuação no caso se limitou à indicação de emendas parlamentares. Segundo ele, entidades procuram os vereadores, apresentam demandas, e os parlamentares fazem as indicações. Depois do pagamento dos recursos, afirmou, a fiscalização cabe aos órgãos de controle.
“Se existe alguém nessa vida que fez parte de alguma organização criminosa ou alguma questão [com] faccionados, eu te garanto que esse alguém não sou eu”, afirmou.
“Eu não tenho condições de ter qualquer tipo de controle sobre a gestão dessas emendas, uma vez que elas forem pagas. Já não cabe a mim”, disse.
O vereador afirmou ainda que a prerrogativa dos parlamentares é “única e exclusivamente” indicar as emendas. “Agora, os órgãos de controle é que precisam se atentar e fiscalizar aquilo que a gente encaminhou”, declarou.
Durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão na casa de Beto Castro, os agentes encontraram uma arma de fogo de uso restrito, o que motivou a prisão em flagrante do vereador. No local, também foram encontrados R$ 700 mil em dinheiro vivo. Castro foi liberado ainda na tarde de segunda-feira, por decisão da Justiça, mediante o cumprimento de medidas cautelares.
No pronunciamento desta quarta, o vereador não explicou a origem da arma e do dinheiro, mas disse estar sereno com o desenrolar das investigações.
“Quem não deve não teme. Estou para colaborar com toda e qualquer pergunta que o Ministério Público ou o Judiciário vier a fazer para mim”, afirmou.
“Existe um termo jurídico que é muito claro: não é o que se diz, é o que se prova. E eu estou muito tranquilo”, declarou.
