O coordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), procurador Haroldo Paiva de Brito, afirmou que a Operação Benedictio revelou um elo entre facções criminosas, políticos e desvio de emendas parlamentares no Maranhão.
Deflagrada nesta segunda-feira (15), a operação apura um suposto esquema de desvio de recursos destinados a projetos sociais em São Luís. Segundo o Ministério Público do Maranhão, o grupo investigado teria desviado mais de R$ 9 milhões.
O vereador de São Luís Beto Castro (Avante) foi um dos alvos da operação e acabou preso em flagrante por porte ilegal de arma de fogo de uso restrito durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão. A Justiça concedeu liberdade provisória ao parlamentar após parecer favorável do Ministério Público, mediante o cumprimento de medidas cautelares. O ex-vereador Umbelino Júnior também aparece entre os alvos das medidas cumpridas pelo Gaeco.
“Esse foi apenas mais um dos casos. Só que ele tem uma questão sui generis, que é justamente o entrelaçamento de facções criminosas com políticos, e isso assustou um pouco a gente, assusta toda a sociedade”, afirmou Haroldo Paiva.

De acordo com o coordenador do Gaeco, o Ministério Público buscou reforçar a atuação conjunta com a Superintendência Estadual de Investigações Criminais (Seic), principalmente em casos envolvendo facções criminosas.
Haroldo disse que a investigação foi acelerada para reunir elementos e deflagrar a operação com o objetivo de interromper a prática de desvio de recursos públicos.
“Com tudo isso, ainda assim, foram desviados mais de R$ 9 milhões de recursos públicos que deveriam ser destinados a essa entidade chamada Sê Tu Uma Bênção”, declarou.
Segundo o procurador, a investigação avançou a partir de quebras de sigilo bancário e telemático. Ele afirmou que o trabalho conjunto entre o Ministério Público e a Seic permitiu identificar a estrutura da organização criminosa, que teria usado o dinheiro para beneficiar terceiros, e não o público que deveria ser atendido pelos projetos sociais.
Indícios contra servidores públicos
Haroldo também afirmou que há “indícios fortíssimos” de participação de servidores públicos no esquema. Segundo ele, esses funcionários teriam atuado na aprovação de pagamentos de emendas e na liberação de verbas para a entidade investigada.
“É lamentável tudo isso, porque a gente vê até onde as facções criminosas estão chegando, se mancomunando com políticos para minar recursos públicos que deveriam ser destinados a pessoas carentes”, disse.
O coordenador do Gaeco afirmou ainda que a entidade, que deveria ter finalidade filantrópica, teria usado parte dos recursos para a compra de carros de luxo e outros bens destinados a poucas pessoas.
A Operação Benedictio foi deflagrada pelo Gaeco, em conjunto com a Seic e a Polícia Militar do Maranhão. O caso envolve suspeitas de desvio de verbas públicas, lavagem de dinheiro, organização criminosa e financiamento de facção criminosa em São Luís.
