A relação de Eduardo Braide (PSD) com a Câmara Municipal de São Luís nunca chegou a ser das melhores, mas, por algum tempo, o então prefeito ainda fez questão de manter certas aparências. Com um gesto aqui, um aceno acolá, Braide conseguia deixar alguns vereadores felizes e, com isso, aprovar pautas de interesse da gestão sem tantas dificuldades.
Mas a eleição de 2024 mostrou ao prefeito que esse esforço era desnecessário. Reeleito com mais de 70% dos votos, Braide nunca mais se preocupou com a opinião dos vereadores sobre os projetos que enviava para a Câmara.
Quando eram vetados, recorria à Justiça ou simplesmente às redes sociais, aos seus mais de 700 mil seguidores, para reclamar que os vereadores estavam boicotando obras da Prefeitura e o progresso da cidade.
De lá para cá, ou melhor, de lá até o dia em que renunciou à Prefeitura para concorrer ao governo do estado, a relação de Braide com a Câmara foi de total beligerância.
Irritado com a malcriação dos parlamentares, que chegaram a ensaiar um confuso processo de impeachment, Braide bloqueou as emendas impositivas — mesmo as que tinham como destino o Hospital do Câncer Aldenora Bello e a APAE. Em resposta, foi comparado a Hitler por alguns vereadores. Outros, a exemplo de Astro de Ogum (PCdoB), passaram a se referir a ele apenas como “o semideus”.
Com a mudança de comando na Prefeitura, a partir da posse de Esmênia Miranda (PSD), havia expectativa sobre a postura da nova prefeita em relação à Casa do Povo.
Perto de completar o primeiro mês de estadia no Palácio de La Ravardière, Esmênia já demonstrou que, apesar de estar alinhada ao ex-prefeito, não tem intenção de prolongar a peleja com os vereadores.
Depois de receber todas as deferências e homenagens da Casa na cerimônia de posse, no dia 31 de março, Esmênia levou menos de duas semanas para liberar as emendas dos vereadores — que estavam travadas desde novembro do ano passado e eram um dos principais pontos de atrito com o Legislativo.
Além disso, comunicou ao presidente Paulo Victor (PSB) que, apesar de não ter obrigação, determinaria um calendário fixo para a liberação das emendas impositivas daqui para frente.
O gesto teve efeito imediato. Na sessão desta segunda-feira (27), vereadores que antes faziam oposição ferrenha à gestão votaram para manter o veto da Prefeitura a um dispositivo proposto pela própria Câmara.
Autor da proposta, que previa que a Prefeitura deveria liberar 50% dos recursos das emendas até o mês de julho, o vereador Pavão Filho (PSB) fez questão de subir à tribuna para informar que também votaria a favor do veto — por considerar que o seu pedido já havia sido contemplado pela nova prefeita.
Evidente que, até 2028, quando Esmênia deve tentar a reeleição, tudo pode acontecer. Mas, pelo menos por enquanto, o clima ainda é de lua de mel entre a nova prefeita e a Câmara Municipal.
