O governo do Maranhão reconheceu oficialmente a existência de riscos ao funcionamento do Hospital da Ilha, em São Luís, e criou um comitê emergencial para enfrentar os problemas identificados na unidade. A medida foi publicada no Diário Oficial do Estado de terça-feira (3) e aponta dificuldades relacionadas ao sistema de climatização, ao centro cirúrgico, à disponibilidade de insumos e à continuidade dos serviços médicos.
Assinada pela secretária da Saúde, Liliane Neves Carvalho, em 28 de outubro, a portaria determina que o comitê acompanhe a recuperação da climatização, avalie as condições dos setores críticos e monitore as providências necessárias para manter os atendimentos em segurança.
O grupo também deverá elaborar um plano de ação emergencial, com definição de responsáveis e prazos para solucionar os problemas. Entre as medidas previstas está a possibilidade de transferir pacientes para outras unidades da rede estadual, quando houver indicação clínica e condições para a transferência.
O comitê reúne representantes da Secretaria de Estado da Saúde (SES), da Secretaria de Estado da Infraestrutura (Sinfra), da Empresa Maranhense de Serviços Hospitalares (Emserh) e da direção do Hospital da Ilha. As reuniões deverão ocorrer diariamente enquanto persistirem riscos críticos.
A portaria não detalha quais setores estão atualmente comprometidos, quantos atendimentos foram afetados ou quando os serviços deverão ser completamente normalizados.
Os problemas no Hospital da Ilha já haviam sido denunciados pelo deputado estadual Carlos Lula (PSB) em 21 de outubro. Na Assembleia Legislativa, o parlamentar afirmou que falhas no ar-condicionado provocaram o cancelamento de cirurgias, a paralisação de exames de tomografia e dificuldades no atendimento de pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Em 23 de outubro, o governador Carlos Brandão (MDB) informou, pelas redes sociais, que os trabalhos de manutenção da climatização haviam sido interrompidos pela necessidade de um equipamento solicitado em outro estado. Na ocasião, apresentou o dia 4 de novembro como previsão para a conclusão dos serviços.
Uma semana depois, em 30 de outubro, Carlos Lula voltou a denunciar a situação do hospital. Segundo o deputado, a UTI havia sido desativada e pacientes tinham sido transferidos para o Hospital Presidente Vargas. Ele também alertou para a possibilidade de fechamento da ala de queimados.
Brandão havia previsto a conclusão dos reparos na climatização para quarta-feira (4). A portaria, no entanto, não estabelece prazo para a normalização integral dos serviços do Hospital da Ilha.
