Dono da TV Difusora usou empresa do grupo para receber R$ 12,3 milhões em suposta compra de parecer do MPF

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O advogado Willer Tomaz, controlador da TV Difusora no Maranhão, utilizou uma empresa do grupo de comunicação para receber R$ 12,3 milhões em uma operação ligada à suspeita de compra de um parecer favorável do Ministério Público Federal (MPF). A informação foi revelada nesta quarta-feira (28) pela jornalista Natália Portinari, do UOL, com base em mensagens obtidas pela Polícia Federal.

Segundo a reportagem, Willer enviou os dados bancários da Difusora Comunicação a um interlocutor identificado como Marc Dhabi. Na conversa, o advogado informou que, descontados os impostos, o pagamento resultaria em R$ 10 milhões líquidos, exatamente a quantia que lhe caberia em uma negociação de aproximadamente R$ 40 milhões.

As mensagens indicam que o valor total, equivalente a US$ 7,5 milhões, estava relacionado à obtenção de um parecer do MPF favorável à Paper Excellence, empresa que disputava com a J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, o controle da Eldorado Brasil Celulose.

O depósito de R$ 12,3 milhões à Difusora Comunicação ocorreu no mesmo dia em que o então subprocurador-geral da República Antônio Carlos Simões Soares assinou um parecer contrário a uma liminar que beneficiava a J&F no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

A Polícia Federal investiga a suspeita de que o conteúdo de manifestações do MPF tenha sido combinado previamente com Willer. Nas mensagens, os envolvidos mencionam uma pessoa identificada pelas iniciais “AC”, consideradas pelos investigadores compatíveis com as do procurador.

Após o depósito, os interlocutores discutiram como justificar os pagamentos. Uma das propostas era emitir nota fiscal por serviços de publicidade, descrevendo a operação como “elaboração de campanha de mídia”. Também foram discutidos pagamentos por uma empresa de táxi aéreo e a utilização de uma offshore no exterior.

Em julho de 2024, segundo o UOL, um contrato passou a ser estruturado por meio da Zunway Limited. Para a PF, a empresa foi utilizada para formalizar a contratação de Willer sem estabelecer, nos processos judiciais, uma ligação direta entre o advogado e a Paper Excellence.

Apesar do parecer favorável à Paper, a ministra Nancy Andrighi, relatora do caso no STJ, não revogou a liminar. A disputa terminou em maio de 2025, quando a J&F adquiriu a participação da Paper na Eldorado.

Procurado pelo UOL, Willer Tomaz informou que não comentaria as revelações. A Paper Excellence não respondeu, e o jornal não conseguiu contato com Antônio Carlos Simões Soares.

Por Rafael Dantas.

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