O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), proibiu o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de manter qualquer contato com o advogado Willer Tomaz, dono da TV Difusora no Maranhão e defensor do senador Weverton Rocha (PDT). A decisão, tomada nesta segunda-feira (26), também determina o cancelamento dos passaportes do parlamentar e o impede de deixar o país.
A proibição abrange comunicações diretas ou por intermédio de terceiros. Flávio e Willer são investigados no mesmo inquérito, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo empresas do setor de apostas online.
Moraes ordenou o cancelamento de todos os passaportes brasileiros de Flávio Bolsonaro, incluindo o diplomático, e determinou a entrega, em até 24 horas, de eventuais documentos de viagem de outras nacionalidades. O senador foi intimado pela Polícia Federal na manhã de segunda-feira.
As medidas foram adotadas três dias depois de Moraes determinar o bloqueio de até R$ 6 bilhões em bens e valores ligados a Willer Tomaz, além da quebra de seus sigilos bancário, fiscal e cambial.
O advogado, que adquiriu a TV Difusora em 2020, é investigado por movimentações financeiras suspeitas relacionadas a plataformas de apostas. Ele também foi alvo da Operação Sem Desconto, que apura fraudes em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Flávio Bolsonaro afirmou que foi intimado ao sair da residência do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília. O senador classificou a decisão como uma tentativa de intimidação e negou que pretendesse deixar o Brasil.
“Eu nunca pensei em sair do país”, afirmou. Flávio também disse que cumprirá a determinação judicial e contestará as medidas.
O parlamentar atribuiu a restrição de viagem a declarações de seu irmão, Eduardo Bolsonaro, que havia defendido sua saída do Brasil caso fosse derrotado na eleição presidencial. Flávio perdeu o segundo turno, realizado no domingo (25), para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Flávio Bolsonaro e a defesa de Willer Tomaz negam irregularidades e sustentam que a relação entre os dois é de amizade, sem vínculos financeiros ilícitos.
Por Rafael Dantas.
