Dois ex-diretores da Codevasf, que chegaram à estatal por indicação de Roberto Rocha (PRTB), aparecem como doadores da campanha do ex-senador ao governo do Maranhão. Antônio Rosendo Neto Júnior e Marco Aurélio Ayres Diniz já repassaram R$ 55 mil à candidatura.
Rosendo doou R$ 35 mil, em dois repasses. Marco Aurélio transferiu R$ 20 mil. Os valores constam na prestação de contas da campanha registrada na Justiça Eleitoral.
Os dois ocuparam, em momentos diferentes, o comando da Área de Desenvolvimento Integrado e Infraestrutura da Codevasf. Marco Aurélio esteve à frente da diretoria entre setembro de 2016 e julho de 2019 e, nos últimos meses da passagem pela companhia, também respondeu interinamente pela Presidência. Em julho de 2020, Antônio Rosendo assumiu a mesma diretoria e permaneceu no cargo até março de 2023.
Rosendo era tratado por Rocha como “amigo e compadre”. Ao celebrar a nomeação, Rocha afirmou que Rosendo assumiria a diretoria mais importante da Codevasf.

Além dos dois diretores, a filha de Roberto Rocha também ocupava cargo de confiança na Codevasf. Em 2021, Amanda Cristina Diniz Rocha recebia salário bruto mensal de R$ 17,8 mil na estatal.
A gestão de Rosendo coincidiu com a expansão das emendas de relator destinadas à Codevasf. Esse mecanismo, que ficou conhecido como orçamento secreto, foi alvo de ações no STF por problemas de transparência e rastreabilidade, que dificultavam identificar os parlamentares por trás das indicações e acompanhar a destinação dos recursos. Em 2022, o orçamento previsto para essas emendas na companhia chegou a R$ 1,2 bilhão.
Roberto Rocha estava entre os parlamentares que mais direcionaram recursos desse tipo à estatal. Em 2022, o então senador indicou R$ 21,5 milhões em emendas de relator para a Codevasf. Foi o parlamentar do Maranhão que mais enviou recursos do orçamento secreto à companhia e o quinto parlamentar do país que mais destinou dinheiro por esse mecanismo à estatal.
