Clínica que declarava faturar R$ 13 mil por mês movimentou R$ 143,8 milhões, aponta Gaeco

Uma clínica odontológica que declarava faturamento médio de cerca de R$ 13 mil por mês movimentou R$ 143,8 milhões entre 2019 e 2024, segundo investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) do Ministério Público do Maranhão.

A movimentação foi identificada durante as apurações que resultaram na Operação Faenerator, deflagrada nesta terça-feira (15), com mandados de busca e apreensão em Imperatriz, João Lisboa e Buritirana.

O Gaeco investiga um núcleo financeiro suspeito de emprestar dinheiro a empresários e financiar empresas envolvidas em contratos e obras públicas da Prefeitura de Imperatriz. Entre elas estão empreiteiras já alcançadas por outras investigações relacionadas à Secretaria Municipal de Infraestrutura (Sinfra).

Segundo o Ministério Público, o grupo concedia empréstimos com juros entre 3,5% e 4% ao mês. Os recursos eram utilizados por empresários, entre outras finalidades, para iniciar obras, manter o fluxo de caixa e cumprir compromissos financeiros.

A investigação identificou transferências bancárias, Pix, depósitos fracionados, contas de passagem, uso de pessoas interpostas e saques em espécie na movimentação dos valores.

De acordo com o Gaeco, recursos também eram reinseridos na economia formal por meio da compra e comercialização de carros de luxo, veículos pesados, aeronaves, helicópteros, embarcações e imóveis rurais.

O Ministério Público afirma ainda ter identificado pagamentos de obrigações pessoais relacionadas a agentes públicos e Pessoas Expostas Politicamente (PEPs). A instituição não revelou quem são essas pessoas nem detalhou quais despesas teriam sido pagas.

Justiça autoriza bloqueio de até R$ 621 milhões

A Vara Especial Colegiada dos Crimes Organizados autorizou o bloqueio e a indisponibilidade de bens e valores até o limite de R$ 621.455.220.

A medida alcança ativos financeiros, imóveis, veículos, aeronaves, embarcações e outros bens. A Justiça também autorizou a extração e análise dos dados de dispositivos eletrônicos apreendidos.

O valor de R$ 621,4 milhões corresponde ao limite fixado para o bloqueio patrimonial e não significa, por si só, que todo esse montante já tenha sido comprovado como recurso desviado.

Investigação surgiu de operações anteriores

A Faenerator é um desdobramento das operações Regalo, Timoneiro e Pavimentum, que investigaram empresas e contratos relacionados à Sinfra de Imperatriz.

A Timoneiro apurou suspeitas em uma contratação de mão de obra terceirizada. A Regalo investigou contratos para locação de máquinas e ônibus. Já a Pavimentum teve como alvo suspeitas de irregularidades em licitações de pavimentação asfáltica.

Segundo o Gaeco, o aprofundamento das informações obtidas nessas investigações levou ao núcleo financeiro alvo da operação desta terça-feira.

O Ministério Público não divulgou na nota oficial o número do processo, os nomes dos investigados nem a identidade dos agentes públicos e PEPs mencionados na apuração.

O Observador Maranhense procurou a Prefeitura de Imperatriz para comentar a investigação e aguarda retorno. O espaço permanece aberto para manifestação.

Por Rafael Dantas.

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Coluna do Observador

A Coluna do Observador cobre os bastidores da política e do poder no Maranhão, com foco em informações exclusivas. Publicada semanalmente, tem como titular a jornalista Lígia Teixeira, profissional com mais de 20 anos de experiência na cobertura política.

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