O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, usava o login de uma servidora do Ministério Público Federal (MPF) no Maranhão para acessar processos sigilosos envolvendo seus desafetos, segundo relatórios da Polícia Federal tornados públicos nesta quinta-feira (10), após a retirada do sigilo de processos do Caso Master.
A servidora identificada nos documentos é Alina Franco Boueres de Araújo. A PF afirma que o usuário vinculado a ela foi utilizado de forma recorrente para consultar procedimentos em diferentes estados, incluindo investigações sobre o próprio Vorcaro, Nelson Tanure, Maurício Quadrado e Vladimir Joelsas Timmerman, fundador da Esh Capital.
A reportagem de O Observador Maranhense confirmou nesta sexta-feira (11) que Alina trabalha no gabinete do 7º Ofício da Procuradoria da República no Maranhão, unidade de Combate ao Crime e à Improbidade que tem como titular o procurador Marcílio Nunes Medeiros.
Sobre o uso das credenciais, a PF busca esclarecer como integrantes do grupo ligado a Vorcaro tiveram acesso à conta da servidora. Os investigadores apuram se as consultas foram realizadas pela própria Alina, se a conta profissional foi invadida ou se os dados de acesso foram repassados a terceiros.
Em um dos episódios analisados, uma representação apresentada ao MPF do Distrito Federal em 16 de julho de 2024 chegou, apenas dois dias depois, a Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, que encaminhou o documento a Vorcaro.
A PF constatou que o documento havia sido gerado pelo usuário de Alina. Para os investigadores, a recorrência dos acessos reforça a necessidade de apurar a possível circulação indevida de informações sigilosas.
Sicário integrava o grupo chamado nas conversas de “a turma” de Vorcaro. Segundo a investigação, seus integrantes monitoravam desafetos do banqueiro e buscavam informações sobre processos judiciais e investigações policiais envolvendo esses alvos.
Os relatórios apontam que o grupo ligado a Vorcaro também teve acesso a credenciais de outros servidores do MPF em diferentes estados, usadas para consultar documentos sigilosos. Para a Polícia Federal, os episódios indicam um padrão de obtenção e compartilhamento de informações sigilosas.
Procurados pelo Observador, a servidora Alina Franco Boueres de Araújo e o procurador Marcílio Nunes Medeiros não concederam entrevista e informaram que se manifestariam por meio da Assessoria de Comunicação do MPF. Em resposta enviada posteriormente, o órgão informou que uma apuração interna concluiu que Alina foi vítima de phishing e que medidas foram adotadas para bloquear os acessos indevidos e evitar novos ataques.
ATUALIZAÇÃO: Matéria atualizada às 16h51, do dia 11 de setembro de 2026, para incluir esclarecimento do MPF enviado à reportagem.
