TCE investiga contrato e mortalidade nas UTIs do Hospital da Criança de São Luís

Por Maria Clara Monteiro | 27/08/2026

O contrato de serviços médicos das UTIs pediátricas do Hospital da Criança Dr. Odorico Amaral de Matos, em São Luís, passou a ser alvo de fiscalização presencial do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA). Auditores estiveram na unidade durante as madrugadas de 15 e 16 de agosto para verificar a execução dos serviços e as condições de funcionamento das três UTIs.

A auditoria foi aberta após representação do Ministério Público de Contas (MPC), que apontou indícios de aumento da mortalidade após a mudança do modelo de atendimento, além de possíveis falhas na licitação e dúvidas sobre a qualificação de profissionais escalados para atuar nas unidades de terapia intensiva.

O contrato foi firmado pela Prefeitura de São Luís com o Instituto Brasileiro de Serviços Médicos (IBMED), responsável pela prestação de serviços médicos nas UTIs pediátricas do hospital.

As três unidades somam 29 leitos. Entre os pontos questionados pelo MPC está a previsão de apenas um coordenador técnico para todo o complexo, tratado no edital como um único centro assistencial.

Nas primeiras inspeções, os auditores conferiram escalas e presença de profissionais, medicamentos, materiais, estrutura física e apoio assistencial. Também realizaram entrevistas, coletaram informações operacionais e fizeram registros para subsidiar a auditoria.

A fiscalização deverá verificar ainda a quantidade e a qualificação dos profissionais presentes em cada plantão, os indicadores e as causas dos óbitos, a regularidade do processo de contratação e a compatibilidade entre os valores pagos pelo município e os serviços efetivamente prestados.

O TCE também pretende cruzar informações do Sistema de Informações sobre Mortalidade e do Datasus com os registros do hospital e os dados fornecidos pela administração municipal. Pagamentos, medições e documentos relacionados à execução contratual integram a análise.

O Hospital da Criança já é objeto de outra apuração. Em março, o Ministério Público do Maranhão instaurou inquérito civil para investigar o aumento de óbitos registrado a partir de outubro de 2025.

Em vistoria realizada no início de agosto, porém, o promotor Herberth Costa Figueiredo afirmou que as UTIs apresentavam funcionamento satisfatório naquele momento e que, a partir dos dados analisados pela Promotoria, não havia sido identificado aumento da mortalidade na comparação feita pelo órgão. O inquérito permanece em andamento.

O TCE ressalta que as informações reunidas até agora são preliminares. Novas inspeções e análises documentais ainda serão realizadas antes da apresentação das conclusões da auditoria.

“Daremos continuidade à fiscalização, com previsão de novas visitas para verificação, entre outros aspectos, da troca de plantão e de outros procedimentos, incluindo solicitações documentais e entrevistas. Formularemos conclusões definitivas somente após consolidarmos as evidências produzidas ao longo de toda a fiscalização”, afirmou o secretário de Fiscalização do TCE, Fábio Alex de Melo.

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Maria Clara Monteiro

Redatora, editora de vídeo e social media.

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