Gustavo Marques Gaspar, ex-assessor e homem de confiança do senador Weverton Rocha (PDT-MA), discutiu com a lobista Roberta Luchsinger a abertura de uma empresa em Liechtenstein, pequeno país europeu localizado entre a Suíça e a Áustria, e recebeu indicações de instituições financeiras no exterior, segundo mensagens apreendidas pela Polícia Federal.
As informações foram reveladas pelos jornalistas Laryssa Borges e Ricardo Chapola, da Veja, a partir de diálogos anexados às investigações que envolvem Roberta e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
A conversa ocorreu em 4 de fevereiro de 2024. De acordo com o material, Roberta orientou Gaspar a abrir uma empresa em Liechtenstein e apresentou opções de instituições financeiras naquele país e também na Suíça.
Ao analisar as mensagens, a PF chamou atenção para o interesse na abertura de uma estrutura financeira fora do Brasil. Roberta havia afirmado que, segundo uma orientação recebida anteriormente de seu ex-marido, seria impossível “prender” dinheiro mantido em Liechtenstein.
Diante do conteúdo das conversas, os investigadores registraram a hipótese de que o objetivo pudesse ser proteger recursos contra eventuais bloqueios. “É possível que estejam tentando blindar valores obtidos de forma ilícita”, escreveu a PF no relatório citado pela reportagem.
Poucos dias depois das conversas com Gaspar, Roberta e Lulinha viajaram para a Europa. Durante a viagem, a lobista mencionou reuniões em bancos, segundo as mensagens analisadas pela Polícia Federal.
Gaspar trabalhou no Senado entre 2019 e 2023 e ocupou cargo na estrutura da liderança do PDT. Documentos da CPMI do INSS o identificam como ex-assessor de Weverton e registram que ele era apontado como homem de confiança do senador.
O ex-assessor também é investigado na Operação Sem Desconto, que apura o esquema de descontos fraudulentos em benefícios do INSS. Ele foi preso preventivamente em dezembro de 2025 e, em fevereiro deste ano, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou que passasse a cumprir prisão domiciliar.
A PF já havia identificado outras relações de Gaspar com personagens centrais da investigação do INSS, entre eles Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, e Rubens Oliveira Costa. A CPMI chegou a aprovar a convocação do ex-assessor para prestar depoimento e medidas de quebra de sigilos relacionadas a ele.
As mensagens divulgadas até agora sobre a abertura da empresa e de contas no exterior não mostram participação de Weverton Rocha nessas tratativas. O vínculo com o senador decorre da atuação de Gaspar como seu assessor durante quatro anos e da relação de confiança entre os dois.
A defesa de Gustavo Gaspar afirmou, em manifestação sobre as mensagens reveladas na investigação, que não comentará o caso enquanto não tiver acesso integral aos autos. Já a defesa de Roberta Luchsinger nega que a empresária tenha cometido crimes ou realizado repasses ilegais de dinheiro.
