O governador Carlos Brandão (MDB) voltou a se pronunciar, na noite desta terça-feira (18), sobre as investigações do Caso Tech Office. A nova manifestação ocorreu após a repercussão de trechos do depoimento de Gilbson Cutrim Júnior, assassino do empresário João Bosco, reproduzidos na decisão do ministro Flávio Dino que determinou o afastamento de Daniel Brandão do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MA).
Em publicação nas redes sociais, Brandão classificou as acusações como “infundadas” e “mentirosas” e questionou a credibilidade do depoimento de Gilbson, que apresentou à Polícia Federal uma versão diferente daquela registrada na investigação original do homicídio.
“Novas acusações infundadas surgem contra a minha honra, com base no depoimento de um réu confesso, por um assassinato em local público e que mudou a versão sobre o caso. Versão que está pautando a discussão sem qualquer questionamento quanto à sua credibilidade ou veracidade”, afirmou.
No depoimento prestado à PF em fevereiro deste ano, Gilbson disse que atuava em um suposto esquema de corrupção envolvendo pagamentos do governo do Maranhão e afirmou que chegou a entregar valores dentro do Palácio dos Leões para Carlos Brandão.
O governador negou qualquer relação com Gilbson e afirmou nunca ter recebido o assassino do Tech Office.
“Não há sequer uma prova de todas essas inverdades que estão sendo ditas. Por isso, afirmo categoricamente que são mentirosas. Nunca tive relação com esse condenado confesso. Nunca o recebi no Palácio, nem em qualquer lugar”, declarou.
Brandão também rebateu uma informação específica apresentada por Gilbson sobre suas idas ao Palácio dos Leões. Segundo o governador, a vaga 6 do estacionamento, citada no depoimento, está ocupada há seis anos por um gerador. Ele publicou imagens do local junto com a manifestação.
“Tenho mais de 35 anos de vida pública, sem envolvimento com escândalos ou processos, por isso reafirmo que todas essas acusações são falsas, incabíveis”, acrescentou.
O governador voltou ainda a reclamar que sua defesa não teve acesso à integralidade dos autos e questionou a competência do Supremo Tribunal Federal para conduzir a investigação. Brandão citou parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) segundo o qual a apuração, por envolver governador de estado, deveria tramitar sob supervisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
“Até o momento, minha defesa segue sem acesso ao processo em sua totalidade. Destaco ainda que, conforme parecer da Procuradoria-Geral da República, a apuração desse caso não pode ser conduzida sob supervisão do Supremo Tribunal Federal (STF), por ser competência do Superior Tribunal de Justiça (STJ)”, escreveu.
Brandão encerrou dizendo ter “plena convicção” de que a verdade prevalecerá e que está pronto para defender sua dignidade e sua trajetória política e pessoal.
O novo pronunciamento ocorre depois de o governador já ter negado as suspeitas levantadas nas investigações e afirmado que passou a ser alvo de acusações após o rompimento político com Flávio Dino, ex-aliado e hoje ministro do STF. Na ocasião, Brandão disse considerar o caso resultado de uma perseguição política.
