A Polícia Federal afirma que Samya Rocha, mulher do senador Weverton Rocha (PDT-MA), recebeu mais de R$ 11 milhões de empresas relacionadas ao advogado Willer Tomaz, apontado como articulador da estrutura financeira e patrimonial investigada pela Operação Sem Desconto.
A informação consta da decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou os mandados de busca e apreensão cumpridos nesta terça-feira (4). Samya está entre os familiares do senador que foram alvos das diligências.
Segundo a PF, os valores superiores a R$ 11 milhões foram recebidos durante o período examinado pela investigação. A decisão destaca o escritório Aragão e Tomaz Advogados Associados entre as empresas relacionadas a Willer que teriam feito os repasses.
Os investigadores também identificaram diálogos nos quais Weverton teria cobrado um pagamento de R$ 500 mil entre setembro e outubro de 2024. Fayla Zulmira Menezes, apontada como operadora financeira da estrutura, teria consultado Willer e informado ao senador que a transferência entre empresas seria mais rápida.
Em seguida, segundo a decisão, Fayla comunicou: “Informo que o valor já se encontra na conta PF da Dra Samya”.
A PF afirma que a conta pessoal de Samya era considerada uma alternativa para o recebimento de valores elevados. A mulher do senador também teria recebido uma transferência de R$ 250 mil feita pelo posto Petro São José.
Além das movimentações em sua conta pessoal, Samya aparece vinculada à Rocha Holding Patrimonial. Segundo a investigação, a empresa seria utilizada para movimentar valores de interesse de Weverton.
A decisão também aponta a participação de Samya em tratativas envolvendo imóveis, reformas e despesas do casal. André Mendonça ressaltou que a inclusão dela na operação não ocorreu apenas pelo vínculo conjugal com o senador, mas por “atos e movimentações concretamente descritos” pela Polícia Federal.
As buscas foram autorizadas para localizar extratos, comprovantes, contratos, documentos da Rocha Holding e registros relacionados a imóveis e reformas. A PF também procura comunicações que ajudem a esclarecer a origem, a justificativa econômica, o destino e uma eventual redistribuição dos valores recebidos.
A investigação foi aberta a partir de informações extraídas de um celular atribuído a Weverton e cruzadas com elementos da Operação Sem Desconto, que apura descontos indevidos em benefícios do INSS.
A PF investiga uma suposta estrutura de lavagem de dinheiro da qual Weverton seria beneficiário. De acordo com a decisão, o senador formulava demandas, indicava beneficiários, cobrava pagamentos e acompanhava repasses. Willer, por sua vez, é apontado como responsável por uma estrutura de apoio financeiro, patrimonial e logístico.
O Ministério Público Federal se manifestou contra as buscas e defendeu medidas menos ostensivas, como quebras de sigilo. André Mendonça discordou e afirmou que os indícios apresentados pela PF superavam o campo das conjecturas.
Após a operação, Weverton publicou um vídeo em que afirmou não ter “nada a esconder” e atribuiu as buscas contra familiares e apoiadores a ataques e perseguições relacionados à sua candidatura ao Senado e às suas posições políticas.
O senador declarou que todas as movimentações mencionadas têm origem em atividades profissionais e empresariais e foram devidamente informadas à Receita Federal. Também destacou que o Ministério Público Federal havia se manifestado contra as buscas.
