De todos os pré-candidatos ao governo do estado, o ex-prefeito Eduardo Braide é, certamente, um dos que mais investem em pesquisas qualitativas. Ele sabe que seu maior gap de popularidade está em uma fatia muito especial do eleitorado: as mães maranhenses.
Esse grupo, que representa parte expressiva do eleitorado, é composto principalmente por mulheres negras e de baixa renda, e é justamente nele que Braide tem a pior performance. Dados do final de sua gestão como prefeito de São Luís mostram que a aprovação de Braide entre homens ultrapassa 90%, enquanto entre mulheres esse índice é em torno de 70%.
A diferença de aprovação entre os gêneros é uma das primeiras barreiras que Braide precisa superar, especialmente quando se trata das mães, que mais sentiram a ausência de políticas públicas concretas, sobretudo nas áreas de saúde infantil, educação, transporte e assistência social. São setores nos quais o ex-prefeito investiu bem menos, se comparados à infraestrutura urbana, por exemplo.
O ex-prefeito tem fortalecido sua candidatura entre os eleitores mais educados e de maior renda. Ele tem buscado a adesão principalmente dos homens urbanos de classe média e com perfil de centro-direita, que possuem maior poder de organização política e formam a base de sua militância mais orgânica e entusiasmada. O apoio desse grupo é crucial, pois os homens de classe média têm maior capacidade de mobilização e influência nas eleições.
Braide é especialmente popular entre os eleitores com maior renda, alcançando 86,2% de aprovação entre aqueles que ganham entre R$ 5.000 e R$ 10.000 e subindo para 90% de aprovação no universo geral de eleitores homens. Esse apoio reflete uma gestão que prioriza obras urbanas e investimentos em infraestrutura, que atendem diretamente a esses grupos, mais preocupados com infraestrutura do que com assistência social.
Porém, quando se observa o eleitorado mais pobre, especialmente as mães maranhenses, o cenário muda drasticamente. Braide tem uma aprovação de 72,6% entre eleitoras com renda de até R$ 2.000. Embora ainda seja um índice alto do ponto de vista geral, é muito menor quando comparado à aprovação entre os homens.
As mães maranhenses hoje são majoritariamente negras e enfrentam imensos desafios para cuidar dos filhos e garantir uma renda mínima em casa, sobretudo porque a maioria delas são mães solo.
Elas estão mais inclinadas a apoiar candidatos que tragam soluções concretas para suas necessidades sociais urgentes, como assistência social, saúde e segurança alimentar.
A taxa de insegurança alimentar no Maranhão, por exemplo, é alarmante, com 43,6% dos lares maranhenses enfrentando algum nível de insegurança alimentar e 8,1% desses lares enfrentando fome grave. Esse dado está no radar do principal adversário de Braide hoje, o ex-secretário de Assuntos Municipalistas Orleans Brandão, que luta para ter o apoio do presidente Lula, extremamente popular entre as mulheres mais pobres e com filhos.
Orleans sabe que as mulheres estão muito mais alinhadas com as propostas de Lula e que, se bem trabalhadas, essas eleitoras tendem a se distanciar de candidatos que se posicionam como neutros.
As mães maranhenses buscam políticas alinhadas com valores de justiça social, educação de qualidade, saúde e assistência social, e se impressionam menos com asfalto e viaduto.
Por outro lado, Braide sabe que esse grupo de eleitoras também é influenciável e aposta em um movimento de onda contagiante e espontânea, levando em consideração a forte tradição do eleitorado maranhense de aderir automaticamente ao candidato visto como potencial vencedor. É por isso que ele fez a escolha estratégica de concentrar primeiro os esforços em um público de maior renda e maior escolaridade, menos suscetível às pressões da classe política tradicional.
No entanto, para avançar e, quem sabe, vencer ainda no primeiro turno, Braide precisará ampliar a estratégia para conquistar as mães eleitoras. Se continuar focando no eleitorado masculino de centro-direita, Braide pode perder terreno para Felipe Camarão, que decidiu ser candidato ao governo e avança para deixar claro que é o grande representante dos que mais precisam. Camarão, inclusive, tem no eleitorado feminino sua maior base de apoio.
