Acuado por pesquisas internas que apontam esvaziamento de sua pré-candidatura, Lahésio Bonfim (Novo) passou a mirar de vez em Eduardo Braide (PSD), hoje seu principal rival na disputa pelos votos da direita no Maranhão.
Ao afirmar, em entrevista a uma TV web do Piauí, que recebeu oferta de dinheiro para desistir da disputa ao governo e sair candidato a deputado federal, Bonfim abriu nova frente de ataque contra o ex-prefeito da capital.
No grupo de Braide, a avaliação é que expor a contradição de Lahésio — que, até pouco tempo, flertava toda semana com a possibilidade de aliança — pode enfraquecer ainda mais sua pré-candidatura ao governo.
Enquanto isso, Lahésio Bonfim também enfrenta uma crise interna em seu próprio partido, o Novo. A legenda ainda terá de decidir a quem dará mais vitrine: a Lahésio, marcado por movimentos erráticos, ou ao recém-filiado Roberto Rocha, que enfrenta resistências internas por ter um perfil considerado autoritário e desagregador.
As 72 horas do PT
Há quase dois anos, o presidente Lula promete destravar a equação política do Maranhão. Sem conseguir promover a convergência entre os remanescentes do dinismo, hoje orbitando no entorno do governador Carlos Brandão (sem partido) e do vice Felipe Camarão (PT), o foco agora se volta para dentro do próprio PT.
A estratégia passa por unificar o partido em torno de um projeto próprio, diante do sinal já dado por Braide de que não pretende assumir o palanque lulista no estado.
Mais uma vez, lideranças petistas vêm a público para indicar que uma definição está próxima, com o encontro de tática e o Congresso Nacional do PT, marcados para o fim desta semana. Nos bastidores, porém, a leitura é outra: a tendência segue sendo a de empurrar a decisão até as vésperas das convenções estaduais.
Maranhão no olho do furacão do Banco Master
O advogado Daniel Leite, procurador municipal de São Luís e advogado de figuras poderosas, como o senador Weverton Rocha (PDT), é citado em investigação encomendada pelo Banco Regional de Brasília (BRB) como peça de uma engrenagem que teria viabilizado a aquisição indireta de ações do Banco Master. Segundo os documentos, ele tomou empréstimo de R$ 93,7 milhões para entrar na operação, apesar de ter renda e patrimônio declarados incompatíveis com o volume movimentado.
O caso acrescenta um novo capítulo maranhense à sucessão de escândalos que cerca o Master. Em fevereiro deste ano, veio a público que o Tribunal de Justiça do Maranhão transferiu R$ 2,8 bilhões em depósitos judiciais para o BRB — operação que virou alvo do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e de investigação da Polícia Federal por possível ligação com fraudes envolvendo carteiras de crédito do banco.
Alinhamento de Esmênia
No apagar das luzes do feriadão, a prefeita de São Luís, Esmênia Miranda (PSD), nomeou Felipe dos Santos Lopes para o comando da Secretaria Municipal de Comunicação (Secult). Lopes já ocupava o cargo de adjunto e, na prática, tocava o dia a dia da pasta.
A principal atribuição do novo secretário será preparar o caminho para uma reaproximação do grupo de Braide com jornalistas.
A avaliação no entorno do Executivo municipal é que, para favorecer Braide, será preciso azeitar a relação com a imprensa tradicional, canal ao qual o ex-prefeito terá de recorrer. Fortalecer essa ponte, dizem analistas, é um movimento de cálculo.
Alinhamento de Esmênia II
Também coube à prefeita Esmênia Miranda dar publicidade ao rompimento de um polêmico contrato de credenciamento com o Banco Master, assinado ainda na gestão anterior e até então desconhecido até por grande parte do meio político.
Em nota publicada na semana passada, a prefeitura informou que a rescisão do credenciamento foi feita com base no interesse público, nas regras do contrato e na situação atual da instituição financeira.
Alinhada ao ex-prefeito, Esmênia puxou para si a exposição de um tema incômodo, evitando que Braide fosse diretamente associado ao escândalo do Banco Master.
