Renan Santos é uma farsa da extrema direita

"OPINIÃO

Você, que é do Maranhão, talvez não saiba, mas há uma grande favela no Brasil — uma das maiores da América Latina — tomada por lixo a céu aberto, restos de animais mortos espalhados pelas calçadas e moradores que vivem com medo de faccionados que controlam o território.

A maior parte da população dessa favela sobrevive com menos de um salário mínimo, e uma gigantesca parcela depende de programas sociais do governo federal para sobreviver.

Você, que é do Maranhão e acompanhou as redes sociais na última semana, talvez pense: “Pronto, essa é a favela que Renan Santos, do MBL, disse ser a sucursal do inferno, o bairro do Coroadinho.”

Não! Trata-se de Paraisópolis, um bairro da cidade de São Paulo, localizado a poucos quilômetros da residência onde Renan Santos mora e onde o MBL, movimento presidido por ele, até ontem ajudava a administrar.

Isso mesmo: o MBL, presidido por Renan Santos, ajudava a administrar São Paulo por meio de uma subprefeitura.

A cara de pau de Renan, que não olha para os problemas do bairro vizinho ao dele e prefere viajar 3 mil quilômetros para apontar o dedo para os problemas do Maranhão, é parte de uma tática antiga e batida da extrema-direita:

Acuse-os do que você é.

É a tática do ladrão que rouba alguém na via pública e, para escapar da polícia, ele próprio grita: “Pega ladrão!”.

Funciona.

Você, que é do Maranhão, talvez não saiba, mas:

Renan e seus comparsas do MBL também prometeram matar os bandidos do Bonde dos 40, mas o MBL tinha cargo na prefeitura de Ricardo Nunes, que todo mundo em São Paulo sabe ser um membro do Primeiro Comando da Capital.

Renan diz que odeia os oligarcas maranhenses, mas seu partido, a Missão, emprega familiares seus na estrutura partidária em diversos diretórios pelo país.

Renan diz odiar a corrupção, mas o MBL era financiado pelo grupo Refit, que estava em um esquema bilionário de sonegação fiscal, envolvendo, inclusive, pessoas ligadas ao PCC.

Renan diz defender pena perpétua para estupradores, mas sugeriu, ele próprio, o estupro coletivo de uma das integrantes do MBL.

Pois é.

Renan e o MBL são uma farsa, como tudo o que costuma vir da extrema-direita.

Os textos publicados na seção de colunas e artigos são de inteira responsabilidade de seus autores e não representam, necessariamente, a posição editorial do O Observador Maranhense.
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Sobre o autor

Lígia Teixeira

Historiadora por vocação e jornalista por missão. Atua há mais de 20 anos na comunicação política e institucional, com passagens por campanhas eleitorais, jornalismo impresso e digital, além de áreas estratégicas da comunicação na administração pública. Tem experiência em análise de cenário, formulação de discurso, articulação com a imprensa e com a sociedade, além da produção de conteúdo em cenários de alta complexidade. Escreve semanalmente, aos domingos.

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