A confusão criada no Republicanos no fechamento da janela partidária esteve longe de ser o capítulo final do tumulto na montagem de chapa da legenda. No apagar das luzes da semana santa, o partido filiou nomes na surdina que prometem deixar de queixo caído muita gente.
Se a entrada do deputado estadual Neto Evangelista causou forte reação, obrigando o parlamentar a trocar de partido na última hora, o que vem por aí tende a ser nitroglicerina pura capaz de implodir projetos já consolidados.
As forças de Braide
Se o ex-prefeito Eduardo Braide (PSD) dominou a primeira semana da pré-campanha com o anúncio de uma vice bolsonarista para tirar votos de Lahésio Bonfim (NOVO), agora a estratégia é ampliar o arco de alianças usando as disputas entre grupos antagônicos nas cidades controladas pelo Palácio dos Leões.
A aposta é explorar uma contradição criada pelo próprio grupo governista. Para se fortalecer nos municípios, o governador Carlos Brandão (sem partido) não se aliou apenas aos prefeitos, mas também às segundas e terceiras forças locais. O problema é que essas forças, em geral, são adversárias dos prefeitos e sabem que, numa disputa liderada por Orleans, a prioridade será dada a quem comanda a máquina municipal.
É justamente nesse ponto que Braide tenta avançar. A avaliação é que há, no campo governista, um conjunto de lideranças sem espaço garantido e com medo de ficar para trás. É esse contingente que o ex-prefeito quer atrair e que começou por Caxias, com o anúncio de apoio do grupo do ex-prefeito Paulo Marinho, adversário do grupo do prefeito recentemente cassado, Gentil Neto.
A estratégia de Camarão
O vice-governador Felipe Camarão (PT) parece cada vez mais convencido de que a prioridade da eleição para o seu grupo não é montar desde já uma chapa forte para o governo do Estado. Na visão dele, o primeiro movimento precisa ser outro: tentar um acordo com o ex-prefeito Eduardo Braide (PSD) ainda no primeiro turno.
Num encontro esta semana em uma hamburgueria de São Luís, Camarão admitiu que pode disputar o governo, mas deixou claro que sua prioridade política hoje é buscar entendimento com o grupo de Braide.
O problema é que essa conta esbarra em dois obstáculos. O primeiro é nacional. O presidente Lula já sinalizou que o caminho ideal é montar uma chapa agora e colocar a candidatura própria de Felipe Camarão na mesa. O segundo obstáculo é local, e talvez mais constrangedor: Braide não quer os petistas como aliados diretos e já deu sinais bastante claros disso.
O primeiro sinal foi ignorar completamente os acenos feitos por Camarão desde o final do ano passado. O segundo veio na escolha da vice, uma bolsonarista raiz, num movimento que passou ao largo de qualquer sinalização ao grupo do vice-governador.
Cota de gênero contraditoriamente aumentou a violência política contra mulheres no Maranhão
Esta semana, a Justiça Eleitoral derrubou a chapa de vereadores do Podemos, eleita em 2024 para a Câmara Municipal de São Luís, por fraude à cota de gênero. No centro do caso está Brenda Carvalho, que recebeu R$ 300 mil, mas obteve apenas 18 votos e afirma ter sido alvo de chantagem e ameaças dentro do próprio partido. Até hoje, ela diz temer represálias por ter denunciado a manobra.
Não é um caso isolado. Em Caxias, uma operação da Polícia Federal, deflagrada no mês passado, identificou que mulheres teriam sido pressionadas, assediadas e coagidas para deixar chapas das eleições de 2024 e, assim, inviabilizar candidaturas adversárias.
Outro episódio apareceu em São José de Ribamar. Depois de não conseguir comprovar o cumprimento da cota de gênero em uma chapa de vereadores, um partido passou a alegar, já no curso da defesa, que uma das pessoas envolvidas havia feito transição de gênero, o que deixaria a chapa apta para o cumprimento da cota.
Ocorre, ainda, uma forma mais silenciosa de violência política, que deve aparecer com força em 2026: o uso ainda mais ostensivo de esposas de políticos tradicionais para preencher chapas proporcionais. Na maioria absoluta dos casos, elas não entram por projeto político ou vontade própria, mas para cumprir tabela, burlar a legislação, viabilizar acordos partidários e ajudar a eleger caciques de grupos comandados por homens.
