O senador Weverton Rocha (PDT) foi apontado como “peça fundamental” para a sustentação política de um esquema de fraudes no INSS, segundo delação premiada firmada pelo empresário Maurício Camisotti com a Polícia Federal (PF).
Preso desde setembro, Camisotti afirmou que o parlamentar maranhense integrou o núcleo responsável por garantir respaldo político às atividades do grupo, que operava por meio de entidades associativas para aplicar descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas.
Além de Weverton, a delação também cita os deputados federais Euclydes Pettersen e Maria Gorete Pereira.
Camisotti disse à PF que controlava três entidades — AMBEC, CEBAP e UNSBRAS — usadas para operacionalizar as fraudes, e afirmou ter movimentado cerca de R$ 1 bilhão de forma fraudulenta.
As investigações indicam que o grupo mantinha repasses mensais a parlamentares, com valores médios de R$ 50 mil, em troca de acesso a sistemas do INSS e da indicação de pessoas de confiança para cargos no órgão.
O esquema pode ter causado prejuízo superior a R$ 6 bilhões, com descontos associativos não autorizados aplicados diretamente nos benefícios.
Procurado, o senador enviou a seguinte nota: “O Senador rechaça qualquer tentativa de vinculá-lo a esse esquema, não conhece, nunca recebeu ou conversou com essa pessoa, portanto não irá comentar o seu possível depoimento.”
A delação de Camisotti ainda será analisada pelo STF. A expectativa da Polícia Federal é de que o acordo leve a novas colaborações e amplie o alcance das investigações.
Relembre
O nome de Weverton já havia surgido em fases anteriores da investigação. Em dezembro, o senador foi alvo de busca e apreensão autorizada pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).
Na ocasião, a PF apontou indícios de que o parlamentar atuaria como sócio oculto e beneficiário do esquema. Um pedido de prisão contra Weverton chegou a ser apresentado, sob alegação de risco de destruição de provas, mas foi negado pelo STF e pela Procuradoria-Geral da República.
A investigação também alcançou pessoas próximas ao senador, incluindo ex-assessores. Documentos apreendidos — como planilhas com referência a um “Grupo Senador Weverton” — são tratados pela PF como indícios da ligação do parlamentar com o esquema.
O inquérito também cita encontros entre Weverton e o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, apontado como principal operador do esquema fraudulento.
