A Assembleia Legislativa (ALEMA) definiu os deputados que irão compor a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que vai investigar o vice-governador Felipe Camarão (PT) por indícios de movimentações financeiras consideradas atípicas e suspeita de lavagem de dinheiro.
A comissão foi formada após a adesão de 24 parlamentares ao requerimento e terá prazo inicial de 120 dias, com possibilidade de prorrogação.
Entre os titulares, a base governista concentra a maioria das vagas. Pelo bloco Unidos Pelo Maranhão, integram a CPI os deputados Ricardo Arruda (MDB), Ana do Gás (Republicanos), Mical Damasceno (Republicanos), Yglésio Moyses (PRD) e Adelmo Soares (Republicanos).
O bloco Liberal Democrático, formado por PL e PRD, será representado por Aluízio Santos (PL). Já a oposição indicou o deputado Rodrigo Lago (PSB), que havia tentado barrar a comissão sob alegação de ilegalidade.
Na suplência, foram indicados os deputados Carlos Lula (PSB), Fabiana Vilar (PL), Helena Duailibe (Republicanos), Florêncio Neto (MDB), Kekê Teixeira (MDB), Eric Costa (Republicanos) e Jotta Pinto (Republicanos).
A presidência e a vice-presidência da CPI ainda serão definidas por votação entre os membros.
A investigação tem como base representação do Ministério Público do Maranhão que aponta indícios de movimentações financeiras atípicas envolvendo o vice-governador, com uso de terceiros, transferências via Pix e aquisição de imóveis de alto padrão.
A instalação da comissão, no entanto, é contestada por deputados de oposição e pelo vice-governador. Na tribuna, o deputado Carlos Lula classificou o requerimento como “completamente ilegal” e apontou vícios na formulação da CPI, como a ausência de fato determinado, o direcionamento a uma pessoa específica e o uso de documentos sob sigilo.
A presidente da Assembleia, Iracema Vale (MDB), rebateu as críticas na sessão desta quinta-feira (9) e afirmou que o pedido atende a todos os requisitos regimentais. Segundo ela, o requerimento cumpre as exigências de quórum, fato determinado e prazo certo previstas no regimento interno.
Iracema também rejeitou questionamentos sobre a validade das assinaturas e o uso de informações da investigação, classificando eventuais inconsistências como questões administrativas. A análise sobre a legalidade das provas, afirmou, não cabe à Mesa Diretora.
A deputada indeferiu integralmente a questão de ordem apresentada por Rodrigo Lago, que contestava a criação da CPI. O parlamentar anunciou recurso ao plenário e solicitou o envio do caso à Comissão de Constituição e Justiça.
Procurado, Felipe Camarão não respondeu à reportagem. Nas redes sociais, ele já afirmou que a iniciativa tem motivação política.
“DESESPERO CORONELISTA E OLIGARCA DO DIA: depois de um desastrado, espúrio e ilegal pedido de afastamento no TJ, o titio anuncia uma suposta CPI na Assembleia contra mim para limpar terreno para a eleição do sobrinho. Desespero? Golpe? Jogo sujo? Medo da derrota? Resistirei!”, escreveu.
