Delator relata vingança e punições em esquema de venda de sentenças no TJMA

Um dos delatores da investigação que apura um esquema de venda de decisões judiciais no Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA) afirmou à Polícia Federal ter sofrido retaliações após suspender pagamentos relacionados à compra de sentenças.

Segundo o relato, decisões judiciais passaram a ser proferidas de forma rápida e desfavorável após o rompimento financeiro com integrantes do esquema. O delator atribui a mudança de postura ao desembargador Antônio Pacheco Guerreiro Júnior, que teria passado a atuar diretamente contra ele.

Em um dos episódios citados, o magistrado proferiu decisão liminar favorável a um empresário apenas duas horas após o processo ser redistribuído para sua relatoria.

O delator também afirma que decisões judiciais teriam sido negociadas mediante pagamento de vantagens indevidas, incluindo a transferência de cerca de 2 mil hectares de terra.

Guerreiro Júnior já havia sido citado em outra investigação da Polícia Federal. No relatório final da Operação 18 Minutos, encaminhado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), o desembargador foi indiciado, ao lado de outros magistrados, por suposto envolvimento em um esquema de favorecimento judicial com decisões proferidas em tempo incomum.

De acordo com a investigação atual, o grupo atuava de forma coordenada para direcionar decisões judiciais, com distribuição estratégica de processos e prioridade seletiva, especialmente em disputas de alto valor, como conflitos agrários.

A Operação Inauditus, deflagrada na quarta-feira (1º), resultou no afastamento dos desembargadores Antônio Pacheco Guerreiro Júnior e Luiz de França Belchior Silva.

Ao todo, foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). As medidas atingiram gabinetes, escritórios de advocacia e empresas no Maranhão, além de endereços no Ceará, em São Paulo e na Paraíba.

Durante a operação, a Polícia Federal apreendeu bens avaliados em mais de R$ 14 milhões, incluindo 20 veículos — entre eles um helicóptero —, além de R$ 573.955 em dinheiro em espécie e US$ 8.360. Também foram recolhidos 26 celulares e 38 mídias digitais, como HDs e pen drives, além de bolsas, joias e acessórios avaliados em cerca de R$ 500 mil.

A Justiça também determinou a prisão preventiva do apontado como principal operador do esquema, o afastamento de servidores, o monitoramento eletrônico de investigados, a proibição de acesso ao TJMA e o bloqueio de bens que podem chegar a R$ 50 milhões.

Segundo a Polícia Federal, os investigados podem responder por crimes como corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. As penas, somadas, podem chegar a 42 anos de prisão.

Avatar photo
Sobre o autor

O Observador Maranhense

O Observador Maranhense é o primeiro jornal digital dedicado exclusivamente à cobertura política do Maranhão, com sede em São Luís (MA). Desenvolve jornalismo profissional, publicando reportagens, colunas, vídeos, newsletters e infográficos.

Inscrever-se
Notificar de
guest
0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários