Ungido pelo tio governador para a sucessão ao Palácio dos Leões, o secretário Orleans Brandão (Assuntos Municipalistas) tem adotado uma estratégia agressiva na sua pré-candidatura ao governo.
Em novembro do ano passado, na convenção partidária que lhe assegurou o comando estadual do MDB, Orleans fez circular na imprensa a informação de que o evento reuniu nada menos que 132 prefeitos, 115 vice-prefeitos, 729 vereadores e “representantes políticos” de 182 municípios. Tudo acompanhado de perto pelos olhos atentos de “15 mil pessoas das mais diferentes regiões do Maranhão”.
Empossado presidente do MDB-MA, Orleans recebeu vivas de lideranças estaduais – como a presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale, e o presidente da Federação dos Municípios, Roberto Costa –, além de figurões como José Sarney, Baleia Rossi e Isnaldo Bulhões. Até a deputada Roseana Sarney, à época ainda internada em São Paulo para tratar um câncer de mama, fez questão de enviar sua mensagem de apoio em vídeo que foi transmitido em um dos telões do evento – realizado no Ceprama, na capital maranhense.
No dia 14 de março, no lançamento oficial da sua pré-candidatura (o evento no Ceprama havia sido apenas uma convenção partidária), os números ostentados por Orleans foram ainda mais superlativos. O material distribuído pela assessoria do secretário de Assuntos Municipalistas falava em 40 mil pessoas, 182 prefeitos e representantes de 11 partidos que compareceram ao megaevento realizado no Multicenter Sebrae, em São Luís.
Os dois atos, que tiveram o claro objetivo de demonstrar força política (enumerando prefeitos e partidos como quem faz um inventário), contrastam com a escolha estética de Eduardo Braide ao admitir de público – depois de meses de silêncio – que também disputará o governo do Maranhão.
Em vez de megaevento, bandeiras, telões e palco entupido de apoiadores, Braide optou por fazer o anúncio da sua pré-candidatura – que seguramente era o mais aguardado entre a classe política do estado – de maneira minimalista, quase franciscana. Num vídeo sem edição, em que aparece sozinho no cenário modesto, vestindo uma camisa branca e apenas com o mapa do Maranhão ao fundo, Braide revelou seu desejo de ser governador do estado “para transformar o Maranhão, assim como transformamos São Luís”.
O ex-prefeito da capital, que vem de berço político (o pai, Antônio Carlos Braide, teve seis mandatos de deputado estadual e sucedeu a Ivar Saldanha na presidência da ALEMA), deve apostar na narrativa antissistema (“não temos a máquina, não temos dinheiro”) e tentará se vender como alternativa à “velha política” representada por Orleans Brandão – cujo nome completo, registre-se, é Carlos Orleans Braide Brandão.
Evidente que, nos bastidores, Braide sabe que terá de costurar alianças com a classe política para fortalecer o seu palanque além da capital – o que, inclusive, já vinha sendo feito antes mesmo de ele admitir que seria candidato. Mas a ideia, ao que parece, é manter a imagem de “asseio” e dar ao eleitorado a utópica impressão de que todas as adesões ao seu nome são por um propósito em comum – a prometida transformação do Maranhão – e não por interesses e conveniências político-partidários. Melhor ainda será se ninguém resolver lhe perguntar em quem ele vota para presidente.
