Deputados apresentaram nesta quarta-feira (25), na Assembleia Legislativa do Maranhão (Alema), um pedido de criação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o vice-governador Felipe Camarão (PT), por meio de requerimento de autoria do deputado estadual Dr. Yglésio (PRTB) que propõe a apuração de “fatos determinados relacionados a possível esquema de corrupção” no âmbito da vice-governadoria, da Secretaria de Estado da Educação e de outros órgãos da administração pública estadual.
Segundo apuração do Observador Maranhense, o requerimento já conta com ao menos 23 assinaturas de deputados da base governista, número suficiente para viabilizar a instalação da comissão.
O documento afirma que há indícios de movimentações financeiras consideradas atípicas, com supostos repasses de valores a terceiros e a pessoas vinculadas ao vice-governador, além da possível utilização de servidores públicos e da estrutura administrativa da vice-governadoria e da Secretaria de Educação.
Um dos pontos citados no documento envolve movimentações atribuídas a um assessor ligado ao vice-governador, que teria registrado transações superiores a R$ 9,6 milhões entre 2023 e 2024, com distribuição rápida de recursos a terceiros, incluindo, segundo o texto, pessoas do entorno de Camarão.
A CPI proposta terá prazo inicial de 120 dias e será composta por sete membros, com a finalidade de apurar a eventual ocorrência de crimes como corrupção, lavagem de dinheiro, desvio de recursos públicos e atos de improbidade administrativa.
Pelas redes sociais, o vice-governador reagiu e afirmou que a iniciativa tem motivação política.
“DESESPERO CORONELISTA E OLIGARCA DO DIA: depois de um desastrado, espúrio e ilegal pedido de afastamento no TJ, o titio anuncia uma suposta CPI na Assembleia contra mim para limpar terreno para a eleição do sobrinho. Desespero? Golpe? Jogo sujo? Medo da derrota? Resistirei!”, escreveu.
Aliados de Camarão também criticaram o pedido. O deputado Othelino Neto (PSB) afirmou que a CPI seria “claramente ilegal” e classificou a iniciativa como perseguição política. Já o deputado Rodrigo Lago (PCdoB) disse, perdido, o “governador obriga deputados a entrarem no ringue, onde já inseriu o chefe do MPMA.”
Deputados da base governista, por outro lado, defenderam a abertura da CPI e afirmaram que a investigação é necessária diante das informações que vieram a público.
O deputado Ricardo Arruda (MDB) afirmou que a Assembleia não pode se omitir diante das denúncias. “Os fatos vieram a público agora e, por conta disso, estão sendo tratados por essa Casa, que não pode ficar alheia ao que acontece fora de suas paredes”, disse.
Já a deputada Mical Damasceno (PSD) afirmou que a CPI é um dever institucional do Legislativo e citou os elementos apontados no relatório que embasa o pedido. Segundo ela, há indícios de movimentações financeiras atípicas, com transferências via PIX para mais de mil beneficiários.
“Diante de fatos dessa gravidade, o que esta Casa faz ao discutir a instalação de uma CPI não é julgar ninguém. É cumprir o seu papel constitucional de investigar, esclarecer e dar resposta à sociedade. A verdade não tem medo da investigação”, afirmou.
