O prefeito de Barra do Corda, Rigo Teles, afastou nesta quinta-feira (22) o secretário municipal de Segurança Pública, Antônio James Mota da Silva, sargento da Polícia Militar, após a divulgação de áudios em que o policial ameaça eleitores e apoiadores do presidente Lula (PT). O afastamento começou imediatamente e permanecerá em vigor até o encerramento das eleições.
“Quem é PT é inimigo da polícia, é inimigo da sociedade. Bora pra cima, bora prender”, afirma o militar em uma das gravações. Em outro trecho, ele incentiva prisões para provocar medo entre apoiadores do partido: “O primeiro que nós prender na cidade ou no povoado, sai a história, eles vão ficar com medo”.
James Mota também relata ter abordado apoiadores de Lula durante o primeiro turno, nas proximidades de escolas, e incentiva outras pessoas a agir contra militantes que distribuem material de campanha. “Eu fui pra cima de alguns”, diz. Em seguida, acrescenta: “Bora pra cima também, não é só esperar não. Fazer a parte também, prender quem é pra prender”.
Em nota oficial, a Prefeitura de Barra do Corda afirmou que Rigo Teles reprova qualquer manifestação ou ação contrária à democracia, ao livre exercício do voto e à normalidade do processo eleitoral. A administração municipal informou que está colaborando com a Justiça Eleitoral e assegurou que todos os eleitores, independentemente de suas preferências políticas, podem sair de casa com tranquilidade para votar. “O voto é livre, secreto e deve ser respeitado”, destacou.
O governador Carlos Brandão também anunciou o afastamento do sargento, que estava cedido pela Polícia Militar à Prefeitura de Barra do Corda, e a abertura de uma investigação sobre suas declarações. “Qualquer tentativa de intimidar eleitores ou interferir na liberdade do voto é inaceitável e atenta contra a democracia e as liberdades individuais”, afirmou.
A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, apresentou uma notícia-crime ao Ministério Público Eleitoral, solicitando investigação criminal e apuração de possíveis infrações administrativas e abuso de autoridade. A representação reúne seis arquivos de áudio com declarações atribuídas ao policial.
O Observador Maranhense não conseguiu contato com o secretário afastado. O espaço permanece aberto para sua eventual manifestação.
