Uma sala secreta equipada com máquina de contar dinheiro foi encontrada pela Polícia Federal (PF) em um hangar utilizado por empresas do advogado Willer Tomaz, dono da TV Difusora no Maranhão, durante uma operação realizada em agosto para investigar suspeitas de ocultação de patrimônio em benefício do senador Weverton Rocha (PDT-MA). A descoberta foi revelada nesta quarta-feira (21) pelo jornal O Estado de S. Paulo, que teve acesso ao relatório policial.
Segundo a investigação, os agentes já haviam realizado uma primeira vistoria no hangar, localizado no Aeroporto Internacional de Brasília, quando receberam uma denúncia anônima sobre a existência de um compartimento escondido. Ao retornarem ao local, encontraram uma porta metálica aparentemente blindada, ocultada por uma estrutura de madeira.
Dentro da sala havia uma máquina de contar cédulas, malas vazias e divisórias internas. Nenhuma quantia em dinheiro foi encontrada no compartimento.
As buscas ocorreram em 7 de agosto, no âmbito da Operação Sem Desconto, com autorização do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio relacionadas às fraudes em descontos de benefícios de aposentados e pensionistas do INSS.
Durante a operação, a PF também recolheu listas de passageiros e diários de bordo das aeronaves utilizadas pelas empresas de Willer Tomaz. Os investigadores buscam identificar quem utilizou os aviões e verificar se houve transporte de dinheiro em espécie.
A polícia também apreendeu equipamentos de armazenamento de imagens de câmeras de segurança instaladas em uma propriedade rural do advogado, em Planaltina de Goiás. O objetivo é analisar a movimentação de pessoas, veículos e bens no local.
Outro lado
Em nota, Willer Tomaz confirmou a existência da sala-cofre, mas negou qualquer irregularidade. Segundo ele, o espaço e os equipamentos fazem parte da estrutura de suas empresas de aviação e são utilizados na prestação de serviços a companhias de transporte de valores.
O advogado classificou como “fantasiosa e ridícula” a suspeita de que o compartimento fosse utilizado para armazenar dinheiro de origem ilícita e ressaltou que nenhuma quantia foi encontrada no local.
Já o senador Weverton Rocha, em nota divulgada em 4 de agosto, após a deflagração da operação, afirmou que não tinha nada a esconder e negou irregularidades nas movimentações financeiras investigadas. Segundo ele, todos os valores mencionados eram provenientes de atividades profissionais e empresariais e haviam sido devidamente declarados à Receita Federal.
