Uma informação que circula nas redes sociais aponta que o deputado federal Márcio Jerry (PCdoB) poderia perder a vaga conquistada nas eleições de 2026 para Gisele Bezerra (MDB), primeira-dama de Timon. A hipótese surgiu após uma disputa judicial envolvendo a candidatura de Daiana Roberta Silva Gomes (PT), que teve seu registro indeferido pela Justiça Eleitoral.
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O assunto ganhou repercussão depois que o portal Lupa1 divulgou, na segunda-feira (19), um parecer do Ministério Público Eleitoral pedindo ao Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA) que não aceite um novo recurso apresentado por Daiana e pela Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV.
Segundo a hipótese divulgada, o indeferimento definitivo da candidata poderia fazer a federação descumprir a cota de gênero, que exige um mínimo de 30% de candidaturas de cada gênero. Isso obrigaria a retirada de dois candidatos homens, reduzindo a votação da federação e colocando em risco a cadeira de Márcio Jerry.
Os números, porém, mostram que essa hipótese não se sustenta.
A federação apresentou 19 candidatos a deputado federal no Maranhão, sendo oito mulheres. Mesmo sem Daiana, continuaria com sete mulheres entre 18 candidatos, o equivalente a 38,9% do total, acima dos 30% exigidos pela legislação.
A exigência também continuaria sendo cumprida individualmente pelos três partidos. Sem Daiana, o PT teria 41,7% de candidaturas femininas, enquanto PCdoB e PV permaneceriam com 33,3% cada.
Portanto, o indeferimento da candidata não obrigaria a federação a excluir outros candidatos por descumprimento da cota de gênero.
A possível perda da vaga de Márcio Jerry dependeria justamente dessa exclusão. Dois candidatos do PV, Washington Rio Branco e Alonso da Agricultura, receberam juntos 764 votos. A retirada dessa votação seria suficiente para alterar o cálculo das cadeiras e beneficiar Gisele Bezerra, que recebeu 85.515 votos e ficou como primeira suplente do MDB.
Mas, como a federação continua cumprindo a cota de gênero, não há fundamento nessa regra para retirar os dois candidatos. Além disso, os 808 votos recebidos por Daiana já estão fora dos 303.233 votos válidos da federação, de modo que a manutenção do indeferimento não reduziria novamente essa votação.
Márcio Jerry foi reeleito com 54.953 votos e conquistou uma das duas cadeiras da federação. O parecer do Ministério Público Eleitoral trata apenas do recurso de Daiana e não pede a exclusão de outros candidatos nem a redistribuição das vagas.
Assim, o indeferimento da candidatura de Daiana, por si só, não ameaça a cadeira de Márcio Jerry pelo argumento da cota de gênero. A disputa judicial ainda depende de decisão definitiva, mas a hipótese de mudança na bancada, da forma como foi apresentada, não encontra sustentação nos números eleitorais.
