O deputado estadual Edson Araújo (PL) não conseguiu se reeleger neste domingo (4), após atravessar o último ano do mandato no centro das investigações sobre o esquema de descontos irregulares em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Araújo recebeu 14.627 votos, o equivalente a 0,37% dos votos válidos para deputado estadual, e ficou fora das 42 vagas da Assembleia Legislativa do Maranhão.
O desempenho representa uma queda expressiva em relação a 2022. Na eleição passada, Edson Araújo recebeu 34.545 votos e ficou como primeiro suplente do PSB. Ele assumiu definitivamente uma cadeira na Assembleia em janeiro de 2025, após a renúncia de Rafael, eleito prefeito de Timon.
A tentativa de permanecer no Legislativo ocorreu depois de o parlamentar se tornar um dos políticos maranhenses atingidos pela Operação Sem Desconto, que apura cobranças associativas não autorizadas sobre aposentadorias e pensões. Em novembro de 2025, Araújo foi alvo de busca e apreensão da Polícia Federal e submetido ao uso de tornozeleira eletrônica.
Dados analisados pela CPMI do INSS também revelaram movimentações financeiras de alto valor nas contas do deputado. Araújo movimentou cerca de R$ 173 milhões entre 2023 e 2025. Somente em 2024, quando comandava a Secretaria de Pesca e Aquicultura do Maranhão, foram R$ 112,3 milhões. Nos primeiros seis meses de 2025, outros R$ 18,5 milhões foram creditados em suas contas.
O deputado também teve os sigilos quebrados pela CPMI. No relatório final apresentado em março deste ano, a comissão apontou Araújo como uma das lideranças do chamado “Núcleo Maranhão” e pediu seu indiciamento. O documento cita movimentações envolvendo o parlamentar, a Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA) e a Federação das Colônias de Pescadores do Estado do Maranhão (Fecopema).
Araújo foi 2º vice-presidente da CBPA e presidiu a Fecopema. Antes de retornar à Assembleia, também comandou a Secretaria de Pesca e Aquicultura do Maranhão entre março de 2023 e dezembro de 2024.
