O Maranhão é o segundo estado do país com o maior número de inquéritos abertos pela Polícia Federal para investigar crimes eleitorais em 2026. Até setembro, eram 121 investigações, segundo levantamento publicado pela Folha de S.Paulo nesta quarta-feira (30) com dados da corporação.
No levantamento, o Maranhão aparece atrás apenas do Rio de Janeiro, que registrava 137 inquéritos. Na sequência estavam Ceará, com 118; São Paulo, com 83; e Paraná, com 64. Ao todo, a PF contabilizava 1.194 inquéritos eleitorais instaurados no país até setembro.
Com 121 procedimentos, o Maranhão concentrava cerca de 10% das investigações eleitorais abertas pela PF no país neste ano.
Os números, no entanto, estão em constante atualização. Nesta quinta-feira (1º), a Polícia Federal informou que o total nacional já havia chegado a 1.224 novos inquéritos relacionados a crimes eleitorais em 2026. A nova divulgação não apresentou a divisão atualizada por estado. Segundo a corporação, os dados podem mudar à medida que novas ocorrências e investigações são registradas nos sistemas.
A abertura de um inquérito não significa que houve comprovação de crime. O procedimento é utilizado para investigar fatos que podem configurar infrações eleitorais e reunir elementos sobre eventual autoria e materialidade.
Entre as condutas que podem configurar crimes eleitorais estão, por exemplo, a compra de votos, a coação para obrigar um eleitor a votar ou deixar de votar em determinada candidatura, a boca de urna, falsidades cometidas com finalidade eleitoral e, no dia da votação, o derramamento de santinhos — quando material de campanha é espalhado pelas ruas, especialmente nas proximidades de locais de votação.
A Polícia Federal mantém o Painel BI Eleições, ferramenta pública que permite acompanhar informações como a quantidade de inquéritos instaurados, pessoas conduzidas e flagrantes registrados em cada unidade da Federação.
O volume de investigações no Maranhão aparece em meio a operações recentes realizadas pela PF no estado. Na segunda-feira (28), por exemplo, a corporação deflagrou em Colinas a Operação Habeas Votum, que apura possíveis crimes de coação eleitoral, ameaça e abuso de autoridade contra uma mulher. A ação cumpriu dois mandados de prisão temporária, além de mandados de busca e outras medidas cautelares.
A três dias do primeiro turno, marcado para domingo (4), a Polícia Federal informou que permanecerá mobilizada em todo o país para prevenir e investigar crimes relacionados às eleições, em articulação com a Justiça Eleitoral e outros órgãos de segurança.
Por Rafael Dantas.
