O desempenho dos candidatos ao governo no debate da TV Mirante

Daniel Moraes
COLUNA Daniel Moraes Notícias, análise e opinião sobre a política e o poder no Maranhão, com foco nos fatos, personagens e disputas que movimentam o cenário político do estado. Notícias, análise e opinião sobre a política e o poder no Maranhão, com foco nos fatos.
ANÁLISE

Seis dos oito candidatos ao governo do Maranhão participaram, na noite desta terça-feira (29), do debate promovido pela TV Mirante – o último realizado antes do primeiro turno das eleições.

O encontro era aguardado pelo eleitor maranhense por ser o primeiro que também contaria com a participação de Eduardo Braide (PSD), que lidera as pesquisas de intenção de voto.

Iniciado às 22h30, o debate se estendeu até a madrugada desta quarta-feira (30). Apesar da duração, é improvável que tenha servido para algo além de alimentar as redes dos candidatos com cortes potencialmente virais.

Eduardo Braide (PSD)

Eduardo Braide.

O ex-prefeito Eduardo Braide ficou conhecido no estado pelo bom desempenho no debate da TV Mirante na eleição de 2016, quando disputou pela primeira vez a Prefeitura de São Luís. Filiado ao nanico PMN, o então deputado estadual aparecia com 3,4% das intenções de voto a poucos dias da eleição daquele ano. A boa performance garantiu a zebra: Braide terminou como o segundo mais bem votado, com 21,34% dos votos válidos, e garantiu vaga no segundo turno.

Neste ano, a situação era bem diferente. Com a popularidade em alta e liderando as pesquisas, Braide participou do debate como favorito, sem tanta urgência em se mostrar para o eleitorado – que, afinal, já o conhece.

Orador e político experimentado, soube administrar bem o tempo que lhe foi concedido, falou de maneira simples e segura e não deu espaço para embates que poderiam ser problemáticos. Saiu do debate sem ser perguntado em quem vota para presidente e por qual motivo não implementou o Passe Livre Estudantil na capital.

Orleans Brandão (MDB)

Orleans Brandão.

Visivelmente nervoso nos dois primeiros blocos e alvo preferencial dos demais candidatos, Orleans Brandão teve dificuldades em mostrar ao eleitor maranhense que é algo mais do que o sobrinho do governador.

Questionado sobre experiência profissional, seu calcanhar de Aquiles, Orleans respondeu de forma genérica sobre empresas da família que administra e repetiu a mesma cantilena sobre ter “caminhado em todos os 217 municípios do estado” como secretário de Assuntos Municipalistas.

Recomposto a partir do terceiro bloco, ainda assim não conseguiu ir além do discurso ensaiado. Orleans passou as duas horas de debate enumerando ações do governo como quem recita uma tabuada. Discurso bem ensaiado, mas insosso e pouco convincente.

Saulo Arcangeli (PSTU)

Saulo Arcangeli.

Sem ter pontuado na mais recente pesquisa Quaest, Saulo Arcangeli demonstrou conhecimento, não fugiu ao confronto, fez boas perguntas e não permitiu que o usassem como trampolim para “alfinetadas terceirizadas” em outros candidatos.

Mas, ao investir mais tempo elencando os conhecidos problemas do Maranhão, em vez de apresentar de forma mais objetiva as suas propostas, Saulo perdeu uma boa oportunidade de conquistar – senão o voto – a simpatia do eleitor indeciso.

Felipe Camarão (PT)

Felipe Camarão.

Embalado pelo crescimento na última pesquisa Quaest, que o mostrou com 10% no cenário estimulado, Felipe Camarão concentrou seus ataques em Orleans Brandão, seu oponente mais imediato.

Desestimulado na pré-campanha, quando fez uma série de acenos a Eduardo Braide e chegou a afirmar que gostaria de “fazer um acordo logo no primeiro turno”, Camarão agora acredita que pode desbancar o sobrinho do governador e garantir uma vaga em um eventual segundo turno.

Bem articulado, Camarão mostrou segurança durante todo o debate, apresentou de forma palatável a sua atuação à frente da Secretaria de Educação e rebateu bem as investidas que recebeu de Orleans, André Luís (Missão) e Roberto Rocha (PRTB).

O mais importante para o seu eleitor, porém, foi ter mostrado que agora acredita na própria candidatura.

Roberto Rocha (PRTB)

Roberto Rocha.

Roberto Rocha tentou mostrar duas versões ao eleitor. A primeira, a do político experiente e técnico, que acumulou diversos mandatos ao longo da vida e “sabe como fazer”; a segunda, a do ‘outsider’ – que não faz parte da “velha política” e que, portanto, é incapaz de prometer o que não pode cumprir.

Questionado sobre propostas para o meio ambiente, o ex-senador tratou o tema como algo menor e usou todo o tempo a que tinha direito falando de estradas.

Apesar de alguns bons momentos no debate, é provável que fique lembrado mais pela avaliação feita por Eduardo Braide: “Roberto tem resposta pra tudo, mas nunca resolveu nada na vida”.

André Luís (Missão)

André Luís.

O candidato do Missão, que aposta nas redes sociais para amplificar a campanha, tinha um roteiro montado na cabeça para o debate. Nesse cenário hipotético, ele “desmascaria” cada um dos adversários, expondo suas fraquezas, para em seguida mostrar ao eleitor que era o candidato com propostas mais ousadas e corajosas para o Maranhão. Os “cortes” desmascarando os candidatos seriam publicados no Instagram e renderiam muito engajamento.

Mas faltou ensaio. No debate da Mirante, o candidato do Missão estava inseguro, gaguejou diversas vezes e ainda confundiu alhos com bugalhos. Perguntou a Braide por que ele, enquanto prefeito de São Luís, não baixou o ICMS – um imposto estadual.

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Sobre o autor

Daniel Moraes

Jornalista, fundador e editor-chefe do jornal digital O Observador Maranhense. Atuou nos principais jornais do Maranhão e tem textos publicados na Folha de S. Paulo, Estadão, Poder 360, Correio Braziliense e Congresso em Foco.

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