Depois de ser preso em junho deste ano por posse ilegal de arma de fogo de uso restrito, em meio a uma operação do Gaeco que investiga um esquema que teria desviado mais de R$ 9 milhões em recursos de convênios e emendas parlamentares, o vereador Beto Castro (Avante) não perdeu a pose: livre do xadrez, sob medidas cautelares, Beto aproveitou a primeira sessão após sua prisão para lembrar aos colegas de Câmara que ainda era candidatíssimo ao comando da Mesa Diretora.
“O fato de ter acontecido uma situação comigo, que ainda, supostamente, está para apreciações, não significa que eu estou fora do jogo aqui. Muito pelo contrário. Aí é que eu estou dentro desse jogo”, afirmou o vereador, confiante, para concluir com uma frase de efeito: “Um leão ferido ainda é um leão. Botem isso na cabeça.”
E ele estava certo. Três meses após ser alvo de uma operação sobre desvio de emendas, a coluna apurou que Beto Castro já tem o apoio de ao menos 21 vereadores para presidir a Câmara Municipal a partir de 2027. A eleição da Mesa Diretora está prevista para o dia 1º de outubro, às 9h. Além de Beto Castro, o vereador Marquinhos (União Brasil) também disputará a eleição.
A preferência da maioria por Beto Castro, candidato apoiado pelo atual presidente da Casa, Paulo Victor (PSB), tem a ver com a capacidade de articulação e o bom relacionamento que ele cultivou com os demais vereadores. “[O Beto tem] bom relacionamento com todos e vai organizar a Casa”, resumiu um parlamentar ouvido pela coluna.
Visto como intransigente e de difícil trato, o vereador Marquinhos ainda tem contra si o fato de que eleger um sucessor virou uma questão de honra para o enfraquecido presidente Paulo Victor — que espera que a vitória do apadrinhado também lhe sirva para recuperar algum prestígio.
