Vereador aliado de Brandão é preso pela PF por suspeita de coação eleitoral em Colinas

O vereador de Colinas Gaudêncio Neto (PSB), aliado de Orleans Brandão (MDB), foi preso temporariamente nesta segunda-feira (28) em uma operação da Polícia Federal que investiga suspeita de coação eleitoral contra uma mulher no município. Gaudêncio também é investigador da Polícia Civil.

O delegado Wlisses Alves foi preso na mesma operação. Segundo o g1, Gaudêncio é investigado por suspeita de coação eleitoral. Wlisses também é investigado por coação eleitoral e foi denunciado por estupro.

Segundo a Polícia Federal, a vítima e os investigados apoiavam candidaturas diferentes nas eleições de 2026. A mulher teria sofrido violência sexual e ameaças para que interrompesse manifestações políticas feitas nas redes sociais.

Cinco dias antes da operação, Gaudêncio participou de uma agenda da campanha de Orleans Brandão ao governo do Maranhão em Colinas, ao lado do candidato e de outras lideranças políticas do município.

Colinas é um dos principais redutos eleitorais da família Brandão. Em 2022, Carlos Brandão recebeu 75,7% dos votos válidos no município, onde nasceu e onde a família mantém há décadas negócios nos setores agropecuário, de combustíveis, construção e comunicação. Entre as empresas ligadas ao grupo familiar estão Coagri, Gás do Sertão, Disvali e Rádio e Televisão Nova Era.

A PF investiga se as ameaças e demais atos de intimidação tiveram relação com as divergências político-eleitorais e se houve uso abusivo da função pública. Por causa dessa possível ligação com a disputa eleitoral, a investigação está sob supervisão da Justiça Eleitoral.

Batizada de Operação Habeas Votum, a ação cumpriu dois mandados de prisão temporária, três de busca e apreensão em residências e dois de busca pessoal. A Justiça também determinou o afastamento cautelar de dois investigados de suas funções públicas e a suspensão dos portes de arma.

De acordo com a PF, os investigados poderão responder, conforme a responsabilidade de cada um, pelos crimes de coação eleitoral, estupro, associação criminosa armada, ameaça e abuso de autoridade.

A Polícia Federal afirma que a investigação continua e que as responsabilidades individuais serão definidas após a conclusão das diligências.

O Observador Maranhense não conseguiu contato com as defesas de Gaudêncio Neto e Wlisses Alves até a publicação desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestação.

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Sobre o autor

Rafael Dantas

Redator e colunista do O Observador Maranhense.

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