O presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rêgo, ajudou a articular uma obra milionária no interior do Maranhão que deverá beneficiá-lo indiretamente. Trata-se da modernização do Aeroporto de Barra do Corda, que receberá R$ 53,5 milhões em recursos federais e fica próximo de fazendas e atividades rurais mantidas pelo ministro. A informação é do Metrópoles.
Uma das propriedades ligadas a Vital fica no próprio município de Barra do Corda, a cerca de 14 quilômetros do aeroporto em linha reta. O imóvel tem 314 hectares e pertence a um terceiro, mas dados do Banco Central registram operações de crédito rural do presidente do TCU vinculadas à área em 2024 e 2026.
Ao Metrópoles, Vital do Rêgo informou que arrenda pastos no local para engorda de gado e outras atividades agrícolas.
O ministro também tem duas fazendas em Tuntum, município vizinho: Santa Clara e Vitória I. Juntas, elas somam mais de 1,6 mil hectares e ficam a cerca de 30 quilômetros do aeroporto em linha reta. As propriedades também aparecem em operações de crédito rural registradas pelo Banco Central.
Ao anunciar a modernização do aeroporto, o governo federal afirmou que o empreendimento deverá estimular a economia e o agronegócio da região.
Vital participou da articulação
Em agosto de 2025, o prefeito de Barra do Corda, Rigo Teles, e o governador Carlos Brandão se reuniram com Vital, em Brasília, para tratar do aeroporto.
Na ocasião, Rigo classificou o presidente do TCU como “um dos principais entusiastas” do projeto. Segundo o prefeito, Vital afirmou que o tribunal atuaria para que as obras fossem iniciadas e concluídas no menor prazo possível, depois dos procedimentos da licitação.
Em abril deste ano, Vital também participou da assinatura do termo de compromisso para a modernização do aeroporto. Durante o evento, afirmou que sonhava com a obra desde a época em que era deputado federal pela Paraíba.
O investimento será de R$ 53,5 milhões, com recursos do Fundo Nacional de Aviação Civil (Fnac). Desse total, R$ 32 milhões serão destinados à infraestrutura do aeroporto e R$ 21,5 milhões ao terminal de passageiros, mobiliário e equipamentos.
TCU nega interferência
O TCU negou que Vital tenha interferido junto ao governo federal para viabilizar o investimento. Segundo o tribunal, a decisão sobre a obra cabe aos órgãos responsáveis pela política aeroportuária.
A Corte também afirmou que não há irregularidade nas atividades rurais do ministro e que o arrendamento de pastos para engorda de gado e outras atividades agrícolas é permitido pela legislação.
O tribunal acrescentou que, caso processos relacionados ao aeroporto cheguem ao TCU, serão observadas as regras de impedimento e suspeição.
Por Rafael Dantas.
