Um assessor do governador Carlos Brandão (MDB) acertou pagamentos de pelo menos R$ 5,9 milhões em comissões à lobista Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, enquanto ela atuava na liberação de recursos federais para o Maranhão. As transferências ocorreram entre outubro de 2024 e janeiro de 2025 e foram destinadas à empresa de Luchsinger e ao pai dela. A informação é do Metrópoles.
As mensagens mostram que Luchsinger tratava diretamente com Brandão sobre a liberação de recursos para o Estado. Em uma das conversas, ela avisou ao governador que havia sido liberada a obra de prolongamento da Avenida Litorânea, em São Luís, incluída no Novo PAC e com investimento previsto de R$ 235 milhões.
Em 5 de junho de 2024, Luchsinger escreveu a Brandão: “Marcola acaba de avisar que foi liberada a obra para a Av. Litorânea”. O governador respondeu: “Opa! Notícia boa”.

Marcola é Marco Aurélio Santana Ribeiro, que era chefe de gabinete pessoal do presidente Lula (PT) e mantinha contato com Luchsinger sobre demandas do Maranhão. Na mesma conversa, ela disse a Brandão que Lula visitaria o Maranhão naquele mês e sobrevoaria a avenida ao lado do governador.
Em agosto, após reportagens revelarem que a lobista havia intermediado uma agenda do governador no Palácio do Planalto, Brandão negou ter qualquer relação com Roberta e afirmou que sua agenda institucional não dependia “da articulação de terceiros”.
Ao mesmo tempo em que informava Brandão sobre a liberação de recursos para o Estado, Luchsinger também acertava os pagamentos com Pablo Pereira Munhoz, assessor do governador.
As conversas mostram Pablo enviando comprovantes e tratando dos valores destinados a Luchsinger. Munhoz aparece em registros oficiais como assessor de Brandão e acompanhou o governador em agendas institucionais, como uma reunião com o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, em fevereiro de 2024.

Parte do dinheiro saiu da EDP Infraestrutura e Pavimentação, empresa do empresário Eduardo José Barros Costa, conhecido como Eduardo DP. Em 30 de outubro de 2024, a construtora fez cinco pagamentos que, juntos, chegaram a R$ 2,2 milhões à RL Consultoria, de Luchsinger. Os comprovantes foram enviados por Pablo.
Depois, Pablo encaminhou a Luchsinger o comprovante de um depósito de R$ 650 mil para a empresa dela. No dia seguinte, enviou outros três comprovantes, desta vez de depósitos para o pai de Luchsinger: dois de R$ 200 mil e um de R$ 150 mil. Outros pagamentos superiores a R$ 400 mil também foram feitos pela construtora.
Os R$ 5,9 milhões foram pagos por uma pessoa física e duas empresas, e não pelo governo do Maranhão. O vínculo com o Palácio dos Leões aparece nas mensagens: enquanto intermediava verbas federais para o Estado, Luchsinger negociava os valores com Pablo Pereira Munhoz, assessor de Brandão.
Articulação pela obra da Litorânea
Além da mensagem enviada diretamente ao governador, Luchsinger também comunicou a liberação da obra da Avenida Litorânea ao então presidente da Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap), Gilberto Lins.
Na conversa, afirmou que o então ministro da Casa Civil, Rui Costa, havia inicialmente negado a obra, mas que Lula teria determinado sua execução. Lins atribuiu a Luchsinger participação no resultado.


R$ 115 milhões para a Saúde
A atuação de Luchsinger também envolveu pedidos de recursos para a Saúde. Em 7 de novembro de 2024, Pablo enviou a ela três documentos relacionados a um repasse de R$ 115,3 milhões para procedimentos de média e alta complexidade do SUS no Maranhão. Na mensagem, escreveu: “Segue a prioridade na Saúde”.


No mesmo dia, Luchsinger encaminhou o material a Marcola. Ela também mantinha contato com Swedenberger Barbosa, então secretário-executivo do Ministério da Saúde, a quem encaminhava ofícios relacionados à liberação de recursos para o Estado.
Procurada pelo Observador Maranhense, a assessoria do governador Carlos Brandão não respondeu até a publicação desta matéria.
