Registros de acesso fornecidos pela Meta à Justiça Eleitoral apontam que dois perfis do Instagram usados para promover a candidatura de Orleans Brandão (MDB) foram criados ou acessados a partir de endereços de internet atribuídos à rede da Secretaria de Estado de Governo do Maranhão (Segov). A informação foi revelada pela CartaCapital, que teve acesso aos dados juntados a uma ação em tramitação no Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA).
Segundo os registros descritos no processo, um endereço IP supostamente vinculado à Segov foi usado para criar o perfil @suldomacomorleans no dia 28 de janeiro, às 15h09. Três segundos depois, a mesma conta registrou novo acesso pelo mesmo endereço de internet.
Outro IP que, segundo a ação, estaria ligado à Secretaria de Governo aparece em três acessos ao perfil @juventudecomorleans, realizados em 11 de março. As duas contas estariam ainda vinculadas ao mesmo endereço de e-mail.
O endereço IP funciona como uma identificação da conexão usada para acessar a internet. O registro pode indicar de qual rede partiu determinado acesso, mas, sozinho, não permite identificar quem estava operando o computador, celular ou outro dispositivo naquele momento.
Os autos atribuem os endereços IP à rede da Segov. O dado, por si só, não identifica quem realizou os acessos nem permite atribuir a operação das contas a servidores ou agentes públicos.
Ação aponta rede de 291 perfis
Os registros fazem parte de uma ação apresentada pela coligação do candidato Felipe Camarão (PT), que acusa a candidatura de Orleans de abuso de poder político e econômico e uso indevido dos meios de comunicação. O processo tramita no TRE-MA desde 16 de setembro.
Na ação, a coligação afirma ter identificado 291 contas que teriam atuado de forma coordenada nas redes sociais em favor de Orleans Brandão. Desse total, 112 perfis traziam o nome de Orleans no próprio usuário. Entre junho de 2025 e agosto de 2026, o conjunto dessas contas teria publicado mais de 46,3 mil conteúdos, dos quais cerca de 22,8 mil foram feitos de forma colaborativa entre os perfis.
O perfil @suldomacomorleans, criado a partir do IP atribuído à Segov, aparece na ação como uma das contas de maior atividade dentro do grupo: foram contabilizadas 386 publicações coordenadas, segundo o levantamento apresentado pela coligação.
A coligação classifica a estrutura como uma “milícia digital” e sustenta que os dados indicariam uma operação organizada de promoção eleitoral. A existência dessa estrutura, assim como eventual participação da campanha de Orleans, da Segov ou de agentes públicos, ainda depende de análise da Justiça Eleitoral.
Entre as medidas solicitadas ao TRE-MA estão a preservação de conteúdos, a quebra de sigilo telemático das contas investigadas e a suspensão de 133 perfis apontados pela coligação como integrantes do núcleo da chamada “Rede Orleans”. Caso a suspensão não seja concedida, a ação pede a retirada das publicações feitas por essas contas.
Perfis com esse padrão de identificação já haviam sido alvo de decisões da Justiça Eleitoral. Em julho, a Justiça determinou a remoção de publicações feitas por contas do Instagram batizadas no modelo “[município/tema] com Orleans” por considerar que havia pedido explícito de voto antes do período permitido para propaganda eleitoral.
Procurado, o governo do Maranhão informou que a Procuradoria-Geral do Estado ainda não havia recebido notificação ou citação oficial referente à nova ação. O Estado afirmou que analisará o processo e apresentará sua manifestação depois de formalmente comunicado.
