A Justiça Eleitoral do Maranhão já determinou, somente nas primeiras duas semanas de setembro, a suspensão total ou parcial da divulgação de seis pesquisas sobre as disputas para o governo do Estado e o Senado.
As decisões atingiram levantamentos da AtlasIntel, IPPI, Real Time Big Data, IPSensus e dois registros diferentes do Instituto Veritá. Os questionamentos envolvem, entre outros pontos, inconsistências metodológicas, dúvidas sobre variáveis utilizadas na composição da amostra, informações sobre financiamento e ausência de justificativa técnica para a escolha de candidatos em cenários de segundo turno.
O caso mais recente envolve a IPSensus. A pesquisa MA-02163/2026, que ouviu 1.000 eleitores entre 5 e 10 de setembro, foi barrada antes de ter os resultados divulgados.
A suspensão foi determinada pelo desembargador eleitoral José Nilo Ribeiro Filho, após representação da coligação Pra Transformar o Maranhão, de Eduardo Braide (PSD). O magistrado apontou dúvidas sobre a variável econômica utilizada no levantamento e considerou necessário esclarecer se os conceitos empregados para tratar da renda dos entrevistados são tecnicamente equivalentes e se podem interferir na composição e ponderação da amostra.
No dia 11, a Justiça também manteve suspensa uma pesquisa do Instituto Veritá, registrada sob o número MA-06401/2026. O levantamento previa 1.525 entrevistas e passou a ser questionado por diferenças entre o plano amostral e o questionário, principalmente na classificação da renda dos entrevistados.
Outro levantamento do Veritá, o MA-01912/2026, já havia sofrido restrição no início do mês. Em 2 de setembro, o TRE-MA proibiu a divulgação de três cenários de segundo turno. A Justiça questionou a ausência de justificativa técnica para que, entre oito candidatos apresentados no primeiro turno, apenas Eduardo Braide, Felipe Camarão (PT) e Orleans Brandão (MDB) aparecessem nos confrontos seguintes. Os resultados de primeiro turno e da disputa pelo Senado não foram atingidos.
Situação semelhante ocorreu com a Real Time Big Data. A pesquisa MA-02569/2026 teve inicialmente três cenários de segundo turno suspensos por questionamentos sobre a seleção dos candidatos testados. Os demais resultados foram divulgados no dia 10. Depois, em outra representação, a Justiça determinou a suspensão da divulgação por 24 horas e pediu explicações sobre pontos da metodologia, como a combinação de entrevistas telefônicas e digitais, o uso de inteligência artificial e a utilização de dados do Censo de 2010.
A pesquisa do IPPI, registrada sob o número MA-08868/2026, também teve a divulgação suspensa após os resultados já terem sido publicados. A decisão apontou problemas no preenchimento das informações sobre o responsável pelo pagamento do levantamento, e as publicações foram retiradas. Dois dias depois, porém, outra decisão liberou novamente a divulgação ao considerar que documentos vinculados ao registro permitiam identificar a empresa responsável pela contratação e pelo financiamento.
A pesquisa da AtlasIntel, registrada sob o número MA-09485/2026, também teve a divulgação suspensa no início do mês após questionamentos sobre o conteúdo do questionário, os cenários de segundo turno e informações financeiras apresentadas no registro.
As medidas não significam que os seis levantamentos tenham sido considerados falsos ou fraudulentos. Parte das decisões é liminar, algumas atingiram apenas determinados cenários e outras, como o caso da IPPI, já foram revistas.
